Urubici-cleta: pedal nas alturas

A cidade tem “bici” até no nome. Urubici. Urubici-cleta. Foi nesse reduto das alturas, terra das maiores altitudes do Sul do país, das vistosas araucárias que por sorte ainda não viraram mesa nem porta, dos pomares de maçã e das cachoeiras monumentais, que fizemos a cicloviagem de 3 dias no último feriado.
Antes de mais nada, é mister dizer que nosso grupo de 20 pessoas teve, como marcas registradas, agradáveis características. A começar pelo humor transbordante, e nesse quesito é impossível não citar a figura do hilariante pedalante Adilson, autor de piadas memoráveis, algumas brandas e outras simplesmente impublicáveis – teve gente que chegou a chorar de rir em uma das suas cômicas intervenções.
Outra marca foi o encontro de gerações entre os cicloviajantes. Compuseram o grupo três pares de pai e filho: Renato e o Jonatha, um dos guias da pedalada; Jorge e Gustavo, carinhosamente apelidado de Junior, que com apenas 17 anos já descobriu o prazer de aventurar-se em bicicleta; e o veterano Souza, parceiro de muitas pedaladas com o Caminhos do Sertão, que dessa vez trouxe sua filha Cristiane, marinheira de primeira viagem e, pelo simpático recado que deixou em nosso site, mostrou-se bastante satisfeita com a experiência pioneira.

MOLDURA DE PEDRA, EM FORMA DE ELIPSE

Depois de devidamente acomodados  no hotel Andermann, no centro de Urubici, iniciamos o percurso na tarde da sexta-feira santa. Em pouco tempo chegamos ao rio Sete Quedas, cristalino e gelado como todas as águas da região, com leito de seixos arredondados que precisa ser atravessado diversas vezes até que se possa divisar a primeira queda. Os mais corajosos, ou menos friorentos, arriscaram um banho rápido antes que voltássemos ao trajeto.
Na seqüencia, guidões no rumo do Morro do Campestre. Depois de um pedaço de estradão de terra, plano, uma subida forte e pedregosa leva ao alto das curiosas formações rochosas, de onde se obtém um pitoresco panorama da região. Uma das imponentes pedras apresenta um rasgo vertical, na forma de uma elipse, que conforma uma singular moldura para alguns elementos da paisagem, como um rio sinuoso que se esparrama pela planície e uma pequena serra, ao fundo, rasgada por uma das dezenas quedas d´água da região.
No retorno, anoitecemos na estrada, contando com a providencial escolta luminosa da nossa van de apoio. De noite, no hotel, entre uma e outra melodia ao som de violão e pandeiro, intercalaram-se as espirituosas piadas e um show de risos. Depois, o fabuloso jantar preparado pela senhora Janara – e cama.

NO MEIO DAS NUVENS, O TOPO DO SUL DO BRASIL

No sábado, o grupo se dividiu entre os que resolveram encarar, pedalando, a subida do Morro da Igreja, e os que optaram por poupar energia pegando uma carona até lá com a van. Entre o município de Urubici e o topo do Morro, há um desnível de mil metros. Para vencê-lo, “basta” enfrentar uma estrada asfaltada de quase 17 quilômetros, a grande maioria em subida, alguns trechos bastante íngremes. Então, mergulha-se nas nuvens e o ponto final é o cume do Sul do Brasil, com 1822 metros de altitude, sede do controle do tráfego aéreo na Região.
Com tamanha energia potencial, nada melhor do que transformá-la, ladeira abaixo, em energia cinética. A descida é longa, fonte inesgotável de adrenalina, e exige perícia e atenção em algumas curvas bastante traiçoeiras. Quanto mais, como naquele dia, quando a pista está molhada. Na altura da Cascata Véu de Noiva abandonamos o asfalto para mergulhar, via estradão de terra, na Serra do Bitu, um atalho pedregoso porém deslumbrante que conduz de volta ao centro de Urubici. Antes de chegar na cidade passamos pelo famoso cultivo de trutas do professor Hélio, um curioso conjunto de tanques de lona azul apinhados de peixes.
Nessa noite, a sessão de violão e pandeiro foi substituída por um laptop e a mostra de fotos e vídeos da viagem. Motivo, outra vez, para desenfreados momentos de risada – protagonizados, como sempre, pelo Adílson. Ele não perdeu tempo, ao assistir na tela um dos guias contorcendo-se feito Saci enquanto enxugava um dos pés na beira do rio Sete Quedas: “é a dança do Siri Destroncado”, mandou o humorista, com sua típica espontaneidade, arrancando lágrimas de riso de um dos colegas.

CORVO BRANCO E O COLOSSAL RASGO NA MONTANHA

No domingo de Páscoa, último dia da pedalada, tomamos o caminho do Invernador, uma estradinha vicinal, muito simpática, com as margens abundantes de belas araucárias. Visitamos também a gruta de Nossa Senhora  de Lurdes, um impressionante reduto natural marcado por uma queda de finos e cintilantes fios d´água. E então, pouco mais de 30 quilômetros desde que deixamos Urubici, alcançamos a fabulosa serra do Corvo Branco.
Somado à natureza pulsante, o local é marcado pela pungente presença da engenharia humana. Uma colossal fenda na rocha cede espaço à estrada e descortina os mistérios da serra. Atravessando o rasgo, a descida toma o formato de um caracol, com curvas de 180 graus, desconcertantes. Terminada a ladeira, olha-se para trás e o que se vê é uma serra que recorta o céu em formatos variados, beleza bruta, deslumbrante.
Pouco depois do distrito de Aiurê, mais precisamente no engenho Pedro Kühnen, selamos o ponto final da viagem. Enquanto acomodávamos as bicicletas nos carros, para o retorno, boa parte do grupo dedicou-se a provar dos licores artesanais de jabuticaba, limão e hortelã, produzidos ali mesmo. E então, na intenção de evitar o calamitoso trânsito da parte não duplicada da BR-101, seguimos por um sinuoso e despavimentado caminho de interior, via São Bonifácio. No final, não houve economia de tempo com essa opção – mas, em compensação, evitamos os riscos do frenesi da BR em fim de feriado.

Veja as fotos dessa viagem

Esta entrada foi publicada em relato de viagem e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

11 respostas a Urubici-cleta: pedal nas alturas

  1. Lourival A. de Souza disse:

    Muito legal a pedalada de Urubici. No próximo pedal teremos que proibir a participação do Adilson, esse cara vai acabar nos matando de rir.

  2. Adilson Fernandes disse:

    Boas Galera !!! Gostaria de agradecer a todos que foram no pedal para urubici que foi fantástico mais uma vez um show de organizacao , alegria e beleza com muitas risadas que acho fundamental , espero ancioso pelo próximo , que minha inscricao seja aceita e que no caminho exista pontes que suportem meu peso , (tá Dudu .) , acho que é só tenho muito trabalho em novas composicoes e piadas , super beijo a todos que lerem este recado , valeu …. o Souza é Pop , o Souza é …… fui . diko

  3. Cristiane Bernadete de Souza disse:

    Simplesmente um espetáculo o último pedal. Além das belezas naturais, merece destaque o profissionalismo dos guias que foram muito atenciosos, especialmente com os novatos como eu. Parabéns também às mulheres, que não quebraram nem uma unha durante todo o passeio. Valeu !

  4. Gustavo Ziegler (Junior) disse:

    E ai Galera Adorei o Pedal em Urubici vlw a participação ne apesar do Belo Tombo foi td ótimo e quando puder participar de outro podem contar comigo um Abraço ai para todos que foram e curtiram conosco Abraços e ai Adilson ja fizeci a tua UNIMED hAUHAuAhA Abraços ai cara!!!!!

  5. Claudia Anderman disse:

    Olá Pessoal !!!! E aí galera, Amei o pedal de Urubici !!!! Mais uma vez o pessoal se superou !!!! Um beijo enorme para todos que participaram, estou esperando outra trip ansiosamente, ainda mais que teremos novas composições inéditas do Adilson, rsrs

  6. Sonia Maria Vieira Costa disse:

    Passeio em Urubicí! Quero deixar registrado, aqui, que vale a pena se aventurar com essa turma, mesmo quando se é marinheira ( diaga-se ciclista) de primeira viagem! Entrei no passeio assim meio sem jeito, sem conhecer ninguém, cheia de dúvidas e inseguranças, achando que não conseguiria fazer nem a metade do passeio. Além de ser meio vovó, não ter o mesmo pique da turma veterana, não ter o folêgo dos mais jovens e ser o rabinho da turma adorei a experiência!! A turma é maravilhosa, divertida, alegre, amiga. Me diverti muito, amei o passeio, as pessoas, a comida, a paisagem, a aventura! Só…. Adilson…faz uma musiquinha mais bonita pra mim na próxima!rss O pessoal da organização é super profissional, responsável e não deixam ninguém sem assistência, sempre tem um da equipe lá com o pessoal do fundão dando a maior força, incentivando e até ajudando com a bike morro à cima (né Dudu?)!! Além de tudo o passeio serviu , literalmente, como uma terapia: – consegui ver que consigo ir mais longe do que eu imaginava, – serviu para avalhar a minha capacidade e aceitar as minhas limitações, – aumentou a minha auto-estima, – trabalhei a coragem de enfrentar o novo e o desconhecido, – resgatei a criança que sempre existiu em mim e que sempre adorou descer ladeiras a mil…. As fotos ficaram espetaculares!! Parabéns ao pessoal do Caminhos do Sertão!!

  7. Phil disse:

    Caminhos do Sertão I think I love you! Phil

  8. Adilson Fernandes disse:

    Boas Galera ,Saudações Vascainas . Não pude deixar de escrever para agradecer as citações nos receados e relatos , espero poder fazer mais piadas para rirmos nas próxmas pedaladas só vale lembrar quem sem parceiros como André (s) , Fernando (s) e muitos outros talentosos do grupo não sai tanta inspiração pois até sou meio timido , gostaria de mandar um super ” VALEU ” para quem escreveu no site estas coisas tão boas ,como a Sônia( tá todo mundo olhando ) , e um toque para o cantor e compositor o baiano … André,estamos esperando manifestos , um super beijo de saudade a todos . diko fui……… p.s Junior , já fiz Unimed ( abraços )

  9. André Luís disse:

    Caros amigos ciclo-viajantes! Os dias se passaram mas não consigo tirar da cabeça algumas das musiquinhas compostas durante o passeio. Ultimamente só tenho ouvido Valderrama e seu inseparável amigo Asprila à bateria. Vira-e-mexe me pego cantarolando o hino do nosso herói Souza: “O souza é pop, o souza é lindo…”. Mais um momento de inspiração, apesar de meio gay, de nosso piadista Adilson. Grande aventura com grandes momentos! Gostaria de aproveitar para convida-los a conhcerem meu blog (www.napenumbra.blogger.com.br) onde escrevo um pouquinho sobre o passeio. Um grande abraço a todos, e até a próxima!

  10. Silvana Pisani disse:

    Aqui no meu trabalho ninguém entende porque eu fico cantarolando, às vezes, “Sônia, não fica me agarrando que eu só tou de sunga”… E isso ainda hoje! As composições do Diko são verdadeiros “chicletes de ouvido”!!! Há tempos eu não ria tanto! Adorei isso e tudo o mais. A organização do Caminhos do Sertão continua dez com estrelinha! Beijo saudoso a todos!

  11. Flávio disse:

    Dois já falaram, eu faço eco: esses caras são profi! Fiquem tranquilos, já aposentei a Italia. No Corpus Christi vou de bike nova, he, he, he! Um grande abraço à turma!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *