Arquivo de março de 2009

Bicicletadas na Lagoa vão reivindicar Ciclovia

quarta-feira, 25 de março de 2009

por Fernando Angeoletto

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Novos ecos sobre antigas reivindicações voltam a agitar a cena da Lagoa da Conceição. Movimentos comunitários vão às ruas de bicicleta, no próximo dia 4 de abril, para inaugurar uma série de Bicicletadas que pretendem reavivar nas agendas dos gestores públicos a urgente construção da ciclovia na Av. Osni Ortiga. Todos os ciclistas e cidadãos engajados pela humanização do traçado urbano estão convidados, e o encontro acontece às 14:30 na sede da AMPOLA (Associação dos Moradores do Porto da Lagoa, vide mapa). O evento será reproduzido ao longo de todo ano, sempre no primeiro sábado de cada mês. (veja aqui o mapa do primeiro trajeto)

Dona de irresistíveis encantos naturais, a Lagoa parece ainda não ter reconhecido seu potencial e segue à mercê de um urbanismo decadente, cada vez mais voltado ao automóvel, que aprisiona o cidadão numa pseudo-bolha de conforto, lhe rouba grande parte da paisagem e o condena a perder preciosas horas ancorado em intermináveis filas. Perdem os motoristas, perdem ainda mais os ciclistas e caminhantes, sobretudo numa faixa de orla como a Av. Osni Ortiga, onde os olhos de contemplar a Lagoa são obrigatoriamente atentos ao fluxo dos furiosos carros que, por um momento livre dos engarrafamentos, descontam todo o tempo perdido com o pé no fundo do acelerador.

Em recente reunião na AMPOLA, políticos, líderes comunitários e técnicos do IPUF lembraram que estiveram no mesmo lugar, há 12 anos atrás, discutindo a mesma coisa (necessidade da ciclovia). Não falta projeto, muito menos verba: a gestão anterior de Dário Berger não implementou a obra, apesar de ter havido verba alocada para este fim. Que então se fortaleça o protagonismo de pedestres e ciclistas e a participação popular: é para isso que servem as Bicicletadas, manifestações legítimas de ocupação das ruas por um espaço público mais justo e humano. Os eventos são organizados pela AMPOLA e contam com apoio da Viaciclo e da Bicicletada.


Veja também informações na página sobre a bicicletada da lagoa no site da viaciclo.

São Pedro de Alcântara pedala!

quinta-feira, 5 de março de 2009

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No último domingo, durante a primeira festa do aniversário da imigração alemã em SC, o município de São Pedro de Alcântara lançou o programa “São Pedro Pedala.” Com a circulação de um Ciclo-Táxi e panfletagem, a cidade expôs aos moradores e convidados as metas para 2009, que são a criação de rotas de cicloturismo e ações de estímulo ao uso da bicicleta.

Neste momento em que se comemoram os 180 anos da chegada dos alemães, a prefeitura de São Pedro, além de recuperar as antigas tradições, traz à tona um importante traço cultural contemporâneo do povo germânico: o uso da bicicleta, não só nas cidades como na prática do cicloturismo, uma vez que a Alemanha é mapeada em todo seu território com as rotas para se viajar de bicicleta e tem um público cada vez mais cativo. Dados de 2006 apontam que o cicloturista alemão contribui com a movimentação de 5 bilhões de euros no país. Atualmente, o mesmo público sai em busca de novos cenários para viagens de bicicleta, tendo o Brasil como um dos destinos com grande potencial.

Há cerca de um ano, Judith Weibrecht, jornalista alemã especializada em cicloturismo, esteve em São Pedro para visita e tomada de dados para reportagens. Ela foi assessorada pela equipe Caminhos do Sertão e pelo Sr. Eldon Jung, da ONG ABC Ciclovias (Blumenau). Nesta ocasião foi fortalecida a idéia que culminou no programa “São Pedro Pedala”, hoje colocada em curso por iniciativa das coordenações de Turismo, na pessoa do Sr. Daniel Knabben, e Cultura e de Meio Ambiente de São Pedro, representada por Valcir Kretzer Junior .

São Pedro de Alcântara, generosa em caminhos de terra, redutos de Mata Atlântica e registros culturais da imigração, e com vários municípios vizinhos a menos de 30 km de distância, tem enorme potencial para atrair praticantes de cicloturismo e, conseqüentemente, fortalecer a economia do município. Muitos de seus habitantes, conforme se pôde avaliar no evento de domingo último, são usuários de bicicleta e podem usá-la ainda mais caso seja ampliada a segurança, sobretudo nos trechos recém-asfaltados da cidade.

O programa “São Pedro Pedala” tem a operadora Caminhos do Sertão como parceira no desenvolvimento do cicloturismo na região. Há quase 5 anos, em nossa primeira pedalada como operadora, já havia o prenúncio: nosso roteiro número 1 foi justamente na região de São Pedro de Alcântara. Retornar ao município com a missão de alavancar o cicloturismo é, sem dúvida, um honroso compromisso. O programa tem também como parceiros a ONG ABC Ciclovias e a LJ Mobilidade Sustentável, que desenvolve projetos junto a municípios e empresas no sul do Brasil.


A pequena e infinita Urubici – Carnaval 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009
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Urubici, nossa querida Urubici, dona de majestosas cachoeiras, respeitosas montanhas, árvores do fruto proibido e araucárias a perder de vista. Urubici das casinhas coloridas, da expressão alegre no rosto do agricultor e dos tantos desenhos gravados nas pedras, das flores contornando os caminhos e dos caminhos que acenam às florestas, ao pedregoso e frio Rio Canoas que dali se despede para viajar ao Uruguai, às inúmeras pontezinhas que espreitam esse correr de águas certeiro e eterno.
Foi lá onde estivemos, alheios à farra momesca, aproveitando o feriadão do Carnaval para pôr as rodas na estrada e cicloviajar. Estavam conosco as parceiras do grupo feminino Saia na Noite, de São Paulo, experimentando pela primeira vez (com ótimo aproveitamento!) uma viagem de bicicleta. Pedalamos também com a turma do Boos, que religiosamente comparece pelas bandas da Serra em todo, sem exceção, feriado de Carnaval. O blumenauense Wilberto Boos, incansável ativista pela causa do ciclista urbano, apaixonado por pedalar, mecânico de bicicleta e além de tudo cicloturista de carteirinha, há 20 anos organiza a rapaziada de Blumenau (todos os anos) para cumprir o ritual em Urubici. Chegam a dezenas de participantes, de diferentes idades e ritmos, mas todos com o mesmo propósito de celebrar no pedal a deslumbrante região.

As inúmeras caras da Pedra Furada

Encontramos a turma ao meio-dia de domingo, já no topo do Morro da Igreja, oficialmente o mirante mais soberbo da cordilheira – tendo em conta que de toda a Serra Geral, que irrompe seus picos desde o Paraná até os famosos Canyons do Sul, são os 1822 m do Morro da Igreja a maior altitude desta formação descendente de remotíssimos derrames de lava. Pode-se estar lá – neste topo – dezenas de vezes, mas jamais alguma será igual à outra. Desta vez, a famosa vista da Pedra Furada foi oniricamente enfeitada pelos chumaços de nuvens, enroscadas no sem-fim de picos e pequenos vales vizinhos ao Morro. Fomos honrados com a repetição deste espetáculo no fim da tarde, a convite de Edson Passold. Este cicloamigo blumenauense, apaixonado por fotografia, não poderia escolher melhor lugar para o registro do pôr-do-sol, ato que compartilhamos com grande prazer.

As águas do Rio da infância

Em plena segunda-feira carnavalesca, reunimos o pelotão ciclístico, alegórico e colorido, para o desfile dos Unidos no Corvo Branco. Na Serra com nome de pássaro, nem tão alta quanto o Morro da Igreja, mas igualmente fantástica e misteriosa, o sol a pino revelava todos os desenhos das pedras, todas as curvas em caracol, toda a imponência e audácia do rasgo na rocha que abre caminho à estrada. Descê-la com rumo ao litoral não era a intenção; uns tantos mais empolgados ainda fizeram uma caminhada a um mirante mais alto, enquanto outro grupo (do qual fiz parte) preferiu fazer meia-volta para atirar-se em um demorado banho no Rio Canoas. O uruguaio Juan Rivas, fotógrafo e designer, diz que o Rio Uruguai é uma das melhores lembranças de sua infância. Aquelas águas, dizia seu pai, “nascem e crescem lá no Brasil, nos altos da Serra Catarinense”. Um dia, Juan veio conhecer a origem do rio que marcou seus dias de criança. De lá não saiu mais, construiu sua casa e uma pousada, num ponto do Rio Canoas de onde se avistam monumentais paredões e a entrada para o Campo dos Padres. Ele conta esta história no prefácio do impecável livro fotográfico, de sua autoria, todo dedicado Serra.

Outra cachoeira no currículo

Ainda não era quarta, mas a terça-feira veio cinza, e em seguida chuvosa. Mesmo assim, parte da trupe seguiu sua sina. Desta feita, descemos a Serra do Panelão por caminhos alternativos que levam ao Morro do Campestre. O Canoas, sempre ele, também cruza o caminho, e para cruzá-lo, a brincadeira é equilibrar-se sobre uma das tantas mini-pontes pênseis. E, como sempre há novidade em Urubici, optamos por desbravar a Cachoeira dos Vacarianos, que até então ainda não figurava em nossos currículos. É preciso abandonar a estrada principal e pedalar 4 quilômetros, um tanto estendidos, ao menos psicologicamente, por conta da lama. Então, surge um caminhozinho gramado, depois vem as pedras, e mais pedras, e 2 travessias do rio – para enfim ouvir o estrondo e avistar a colossal queda d’água desabando na rocha.
Por força da chuva, tomamos uma providencial carona no carro de apoio para avistar os últimos atrativos. No topo do Avencal, avistamos a fabulosa Cascata de mesmo nome, jorrando sobre o abismo de 100 metros para tornar-se um dos mais belos cartões postais da região. Por fim, subimos ao Morro da Antena para do Alto fazer a despedida de Urubici, a pequena Urubici, mas tão infinita em suas paisagens, cenários e belezas naturais.