De bicicleta pelos Caminhos Alemães

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Ao conjunto de caminhos que espalham-se por todas as direções, tendo como núcleo central a primeira colônia alemã e atual município de São Pedro de Alcântara, atribuímos o conceito, com devido respaldo na História, de Caminhos Alemães. E assim o são, pois, quando enxotados pelo rigor das intempéries e as descumpridas promessas da corte colonial, puseram-se os pioneiros alemães, a partir de 1836, a ocupar esses Caminhos em busca de paragens mais adequadas ao seu intento colonizador.

Foi assim que deu-se início a ocupação das terras vizinhas (onde hoje estão Angelina, Águas Mornas, Antonio Carlos, Biguaçu e outras), e também de regiões mais afastadas, a exemplo do Vale do Rio Itajaí-Açú. São Pedro de Alcântara foi fundamental para o assentamento da cultura germânica e toda sua expansão pelo Estado.

Nesta Páscoa fizemos a cicloviagem inaugural tendo como pano de fundo este tema, girando as pernas sobre as rotas que foram testemunhas e elementos-chave da história. Hoje, percorrê-las é ter contato direto com legado de um povo. E também com incontáveis e sucessivos atrativos, de natureza e de cultura, que por si só já justificam o desafio que ora nos apresenta: lapidar este conceito e moldá-lo no formato de um completo Circuito de Cicloturismo, produzindo e disponibilizando toda a informação que o cicloturista necessita para aventurar-se por conta própria nos trajetos.

Num grupo coeso e divertido, de 18 pessoas, vindas de São Paulo, Blumenau, Maringá e Floripa, entregamo-nos a desfrutar o sumo histórico e atual dos Caminhos, durante 3 dias. Tão pródigos em miradas e paisagens, em casarios históricos e, porque não, em aclamados engenhos de cachaça (destaque para o seu Pitz e o Zé Folia), tais Caminhos fizeram o deleite dos cicloviajantes, que o percorreram entre Angelina e Betânia, I linha, II Linha e Águas Mornas, Boa Parada, Fojoca e Forquilhinhas, cruzando ainda com umas tantas procissões na sexta-feira Santa (a região é bastante demandada pelo turismo religioso).

Os sons do guia natural

O rio Imaruí, que corta São Pedro, foi o guia natural na abertura das primeiras picadas para Lages. Há resquício delas no caminho largo e calçado de pedra, na altura do Salto dos Tropeiros. Nossa Pousada ficava ali, bem perto deste ponto, o que significa uma constante e doce sinfonia de águas na música de ninar. E houve também outras notas: antes do jantar do sábado o Trio Amadeus, com flautas e clarinete, deliciou-nos com um repertório clássico e algumas bases do bom choro brasileiro.

E por falar em tons e melodias, timbres e acordes, São Pedro tem também o projeto “Educando com Música”. Atende a crianças e jovens de Santa Filomena, comunidade rural a 10 km do centro, que em outras foi épocas o epicentro da atividade comercial. Funciona em área anexa ao Casarão Kretzer, um dos maiores patrimônios arquitetônicos da região, comprado e restaurado em 2006 pelo oncologista Marcelo Collaço Paulo, tornado Cidadão Benemérito em recente título concedido pela Câmara local. No Casarão, durante a pedalada, a Prefeitura deu-nos boas vindas através de Valcir Junior, coordenador de Meio-Ambiente, e Diego Silva, responsável pelos eventos dos 180 anos da Imigração Alemã.

Baixando de São Pedro no domingo de Páscoa, rumo ao Litoral, uma pausa no sugestivo bairro Boa Parada para conhecer a casa do seu Gregório. Apenas a casa, pois seu Gregório não estava, mas foi supimpa conferir todo o esmero deste senhor que dizem ter 90 anos, mas disposição de 30. A lenha, muita lenha, empilhada à altura de uma parede e toda organizada, a horta impecável, a casa bem cuidada em estilo enxaimel, onde o velhinho curte caninhas selecionadas em barris de carvalho. Deu vontade de conhecer o seu Gregório. Nessas idas e vindas pelos Caminhos Alemães, espero ainda ter um dedo de prosa e provar um dedinho da cachaça desse simpático e desconhecido senhor.


5 comentários para “De bicicleta pelos Caminhos Alemães”

  1. Fábio disse:

    ae galera, muito boa a viagem, como marinheiro de primeira viagem foi muito bom ter participado dessa super pedalada, com uma galera tão seleta e simpática.

    espero encontrá-los em muitas outras futuras pedaladas.

    valeu galera.

    abraços pedalantes

  2. José Erivaldo de Araújo disse:

    Tenho acompanhado seus lindos passeios por estes Sertões Catarinenses, repleto de lindas paisagens. Inclusive muito bem comentados.
    Pretendo conhecer Santa Catarina agora em Junho e passar uns 10 dias
    por estas terras. Tambem pedalo e gostaria de saber se, ao chegar em floripa, tenho como entrar em contato convosco e, talvez, alugar uma bicicleta e sair pelos sertões com a turma.
    Abraços, Vava.

  3. Marcus Máximo disse:

    Fotos maravilhosas, lugares encantadores… parabéns a todos pela bela empreitada… eu os invejo de forma positiva por terem desbravado lugares tão maravilhosos que nem mesmo grande parte dos catarinenses como eu, imaginam que exista.

  4. Sonia Costa disse:

    Voces não imaginam o que são os lugares e a beleza da paisagem, só fazendo para descobrir.Esse pessoal é amaravilhoso e são profissionais de primieira linha!
    Um abração gurizada medonha e obrigada pela oportunidade de descobri estes rincões e o pessoal bacana que lá estava.
    Soninha

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