Arquivo de junho de 2009

Audax 2009: um grande feito, apesar das trapalhadas da Polícia Rodoviária Estadual

terça-feira, 30 de junho de 2009

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> Veja aqui as fotos do Audax Floripa 2009

Nem a chuva fina na madrugada fria, nem a descabida proibição da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) impediram a realização do Audax Floripa 2009, ocorrido em Florianópolis no último domingo, 28 de junho. O evento ciclístico, que reuniu 340 participantes, ocorre sob licença do Audax Club Parisien, que organiza a prova e registra os tempos dos participantes de todo o mundo desde 1921.

A etapa realizada em Floripa teve um percurso de 200 km, contornando praticamente toda a Ilha, a partir do Costão do Santinho, e repetindo alguns trechos para fechar a distância estabelecida. Os 259 participantes que cumpriram todo o trajeto, até um tempo limite de 13h30m, receberam um “brevet” que os habilita a participar da etapa seguinte, de 300 km. Esta etapa ocorrerá em Criciúma, em setembro.

A filosofia do Audax prioriza a superação pessoal e a contemplação dos trajetos, não é uma prova competitiva. Cada participante é autônomo e, pelas regras da prova, não pode receber auxílios externos (embora a solidariedade seja freqüente entre os que estão pedalando) e deve submeter-se à legislação de trânsito vigente. Ademais, todos os inscritos são obrigados a usar capacete, sinalização de segurança e colete reflexivo, além de serem assistidos por apólice de seguro de vida.

Cerca de 75% dos inscritos no Audax vieram de outras cidades e estados. Este dado reforça o propósito do evento, o foco no Cicloturismo, o uso da bicicleta para conhecer e interagir com os lugares. Sob o ângulo privilegiado de quem pedala, os visitantes puderam apreciar as mais belas paisagens de Floripa, passando por Canasvieiras, Jurerê, Santo Antonio, Cacupé, Centro, Ribeirão da Ilha, Armação, Pântano do Sul, Lagoa da Conceição, Praia Mole e Rio Vermelho.

Trata-se de um evento de suma importância para Floripa, especialmente na atual conjuntura, em que a cidade registra a triste marca de estar entre os piores locais do mundo em questões de mobilidade urbana. Estimular o uso da bicicleta, transporte ecologicamente correto e que pode ser um grande aliado para desafogar o trânsito, é um grande mérito do Audax e que deveria ser levado em consideração por todas as autoridades e agente públicos que querem o bem da cidade.

A Polícia Rodoviária e o desserviço aos 340 cidadãos de bem

No entanto, um fato bastante lamentável causou vergonha a toda Florianópolis, anfitriã pela primeira vez de um evento da envergadura do Audax. Embora todos os trâmites legais tenham sido cumpridos pela organização, que enviou pedido formal de autorização 20 dias antes da realização da prova, o comando local da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), numa clara demonstração de incompetência e desrespeito, tratou de proibir o Audax dois dias antes da data marcada.

Na véspera, em contato com grande parte dos inscritos (num total de 447 pessoas), os organizadores assumiram o cancelamento da prova, colocando-se à disposição para devolver a quantia paga na inscrição. Porém, como ninguém se sentisse “fora de lei” apenas por andar de bicicleta, não houve nenhum pedido de devolução.

Assim, ficou acertado entre os próprios participantes que todos largariam, embora a prova estivesse oficialmente cancelada. Pouco antes do horário previsto para o início (6 da manhã), um dos organizadores do Audax, o sr. Milton Della Giustina, referência em ciclismo competitivo e questões de mobilidade urbana, recebeu uma ligação do comandante da PRE com o seguinte comunicado: “o governador do Estado proibiu a realização deste evento.” Ao que lhe foi respondido, conforme decisão da véspera, que a prova estava cancelada, embora não houvesse nenhum dispositivo legal que impedisse os ciclistas de pedalarem por conta própria na cidade.

Não bastasse o telefonema, os policiais protagonizaram ainda uma atitude que beirou o ridículo. Viaturas passavam pelos pedalantes no Rio Vermelho, de megafone em punho, gritando que “aquele evento não estava autorizado, e os participantes estavam correndo risco de morte”. Um vergonhoso contrasenso, por 3 motivos:

1) Embora a justificativa da proibição tenha sido a “falta de efetivo”, 4 viaturas da PRE estavam envolvidas na patética ação descrita acima

2) Com a descabida proibição da PRE, todo o serviço de sinalização do percurso, bem como a organização dos Postos de Controle, foi seriamente prejudicada, por temor à represálias; isso sim poderia ter causado problemas à prova, o que felizmente não foi registrado.

3) Quem pedala pelas ruas de Floripa diariamente, independente de qualquer autorização, está sempre correndo riscos, por estar em vias que priorizam os automóveis e a velocidade;

Ao Sr. Luis Henrique da Silveira, Governador de Santa Catarina, fica registrado o repúdio em nome dos 447 ciclistas inscritos do Audax, um evento que atraiu turistas, divisas e qualidade de vida para o estado e que, lamentavelmente, foi tratado como caso de Polícia.

Autor: Fernando Angeoletto (Caminhos do Sertão)

Mais informações no site do Audax Floripa

Caminhos e Vinhos, combinação perfeita no Vale dos Vinhedos

quinta-feira, 25 de junho de 2009


Se preferir, veja o álbum de fotos do evento no flickr.

Contornados pelos rubros e amarelos, em miríades de tons das folhas secas de plátanos e videiras, 26 bicicletas com seus felizes cicloviajantes coloriram o outono ameno da Serra Gaúcha no último feriado de Corpus Christi.

O mote, centrado no Vale dos Vinhedos, a única região brasileira que dá aval geográfico aos seus vinhos, entre Garibaldi, Monte Belo do Sul e Bento Gonçalves, nada mais é que um convite irrecusável para aliar paladares e visuais num dos mais atraentes destinos de cicloturismo do país.

Quanto aos trechos de pedal, ressalta-se que, para além das agradáveis paisagens de parreirais, variadas vinícolas e colônias italianas do Vale dos Vinhedos, todos os arredores são bastante pródigos em atrativos. Um exemplo é o Vale do Rio das Antas, por onde pedala-se num caminho ricamente sombreado, tendo ao lado a barranca alta, desafiada por extensos laranjais, e ouvindo-se o Rio murmurar lá embaixo, já um tanto rouco por ter cedido águas a uma enorme hidrelétrica. Os Caminhos de Pedra, assim chamados pela concentração de edificações em pedra, e a Estrada do Sabor, cujo nome dispensa explicações, também abriram alas à passagem do expressivo pelotão cicloturístico.

Charme de umas, exagero de outras

Sobre as vinícolas, os efeitos da globalização massificante, como descritos no documentário Mondovino, em que tradicionais e pequenos produtores batalham pela sobrevida em meio às colossais corporações, são visíveis na região do Vale dos Vinhedos brasileiro. Assim, pode-se estar em meio a estímulos meramente consumistas e um tanto “fakes”, a exemplo da degustação na gigante Miolo; ou ser recebido pelo próprio herdeiro da família, que nos serve sem pressa amostras fartas de todas as suas obras-primas líquidas, num ambiente aconchegante e com charme original, como é a vinícola Don Giovanni. Ao que parece, nossos pedalantes gostaram mais da segunda opção, opinião da qual compartilhamos, e que poderá transformar-se em ajustes nas próximas saídas.

Já em quesito originalidade, destaque para a Osteria Della Colombina, tanto na gastronomia quanto nos cuidados com a preservação histórica do lugar. Fica em porão de pedra e chão batido, na Estrada do Sabor, e certamente seguirá fazendo parte de nossos roteiros.

Pela freqüente procura, somada a uma lista de espera gerada na última saída, é bem possível que haja outra para o Vale dos Vinhedos, tão logo nos seja possível, quiçá ainda neste ano. Aos interessados, entrem em contato com a gente – um motivo a mais para o próximo pacote acontecer logo, logo!