Cicloturismo no Parque Nacional da Serra do Itajaí

No último final de semana cerca de 45 bicicletas estiveram no coração de um dos mais novos parques nacionais do país. O Parque Nacional da Serra do Itajaí (PNSI) engloba os municípios de Blumenau, Apiuna, Botuverá e Guabiruba, com grandes áreas de mata atlântica primária e berço de uma infinidade de nascentes que alimentam o grande Rio Itajaí.

O Faxinal do Bepe fica no centro do Parque e a estrada que vai de Blumenau até lá é um belíssimo caminho pela mata. Com um perfil altimétrico desafiador, é também um prato cheio para ciclístas e cicloturistas. Ali reside a família Molinari, descendentes do Bepe – o desbravador do local. A criação do PNSI acarretará na desapropriação e indenização da família, mas enquanto o processo engatinha, Seu Ari e família continuam vivendo da agricultura familiar e da agropecuária no local.
Em 2006 estivemos lá com um roteiro organizado por nós e outro famoso desbravador local: Wilberto Boos (membro-fundador da ABCiclovias e pioneiro em levar ciclístas pelas trilhas e caminhos da região)  – leia aqui o relato de 2006 com mais histórias sobre o Faxinal e o Parque.

Altimetria

Desta vez foi também nosso amigo Boos que puxou o primeiro grupo de 20 pedalantes do qual fiz parte (de férias, apenas como fotógrafo e participante :). Saimos no sábado as 7:30h do centro de Blumenau e pedalamos (quase todos) os 40km até a casa do Seu Ari e Dona Fortunata, onde um grande almoço nos esperava no rancho da fazenda. O percurso conta com subidas muito fortes e alguns pegaram uma providêncial carona de caminhote com o filho do Seu Ari, que também serviu para aliviar o peso dos que pedalaram morro acima.

No Faxinal pernoitamos no sótão da casa da familia, e passamos bom tempo ouvindo e relembrando histórias com Seu Ari, ao lado do fogão a lenha da Dona Fortunata que já preparava-se para alimentar os outros 20 e tantos ciclistas que chegariam no próximo dia.

A demora no processo de indenização deixa os moradores do local sem saber o que fazer, sem prazos definidos, ficam inseguros em investir e trabalhar a terra. Pelo lado da conservação, o PNSI já possuí um plano de manejo e muitas ações devem ser feitas no futuro, além de efetivar a fiscalização sobre os caçadores, também organizar melhor os visitantes e as formas de turismo no Parque. Diferentes veículos motores que circulam pelo Faxinal e pelas trilhas serão controlados e mesmo proibidos, ficamos aguardando.

O PNSI – que fica ao lado do primeiro circuito de cicloturismo do Brasil, o Vale Europeu – poderá continuar sendo um belo destino para se conhecer de bicicleta. Esperamos voltar em breve, para pedalar e caminha pelas trilhas do parque.

por Jonatha Jünge

VEJA AS FOTOS.

Para saber mais:
Relato e Fotos da cicloviagem em out/2006 no mesmo local.

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5 respostas a Cicloturismo no Parque Nacional da Serra do Itajaí

  1. wilberto Boos disse:

    ..Caro Jonatha da Caminhos do Sertão!
    É um imenso prazer desfrutar a vida pedalando com amigos, ainda mais em lugares onde a Natureza segue seu ritmo normal(quase). Sentiremos a falta dos nossos amigos do Bepe, detentores de uma história de tempos em que ser desbravador era sinônimo de muito trabalho e determinação. Esperamos que com a efetivação do PNSI não seja aquela área interditada par caminhantes e ciclistas.
    Tão logo seja possível, nos encontraremos novamente.
    Ciclo abração à todos!
    Boos

  2. Parabéns !! Belissimas fotos !

  3. Ana Gabriela Saut Schroeder disse:

    Adorei o pedal! Caminhão… nem pensar, rs!
    Foi adorável conhecer pessoalmente a família Bepe, ouvir as histórias e experimentar sua forma de vida!
    Obrigada pelas fotos, registrar é recordar… Adorei a companhia!
    Uma sugestão: inserir gráfico altimétrico. O que acham !?
    Beijos.

  4. Jeferson Isidoro Mafra disse:

    O verdadeiro espírito do MTB! Subir e descer montanhas! A paisagem é maravilhosa e a companhia foi extremamente agradável. Parabéns pelas fotos e até a próxima aventura!

  5. Coutinho disse:

    Aí Galera…….o pedal estava supimpa, aliás também o cardápio da Dna. Fortunata é de dar gosto, pena que, em função da razão, deixamos o local logo depois do café de domingo, para não correr o risco de ter que dormir no caminho de volta, hehehe …. brincadeira, ao retornar passamos lá pelo Moretto e pescamos umas trutinhas para o almoço, porém “light”, no mais deu tudo certo, apesar da incômoda cia. de motoqueiros e outros ignóbeis motorizados cruzando no caminho.
    Com certeza retornaremos no ano que vem
    Forte Abraço

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