Vale Europeu: 4 dias da parte Baixa à Alta, e vice-versa

Um belo dia o sr. Paulo Notari deu-se conta de que habitava o paraíso. É no Alto Ipiranga, próximo a Rodeio, na transição entre as partes baixa e alta do Circuito Vale Europeu, que ele vive. Indo além em sua constatação paradisíaca,  seu Notari matutou: paraíso, em grego, é jardim. Era o insight que faltava pra ele lançar-se  na voluntariosa missão de plantar 9 km de hortênsias, de um lado e outro da estrada que passa diante de sua casa.

Vendo aquilo tudo florido, pensou:  falta algo. Então ele próprio arranjou um molde e produziu 64 anjos, uns de mármore, outros de concreto, todos eles candidamente segurando um arranjo de hortênsias azuis, espalhados ao longo da estrada e dos morros. Arrematou tudo com um majestoso Cristo Redentor, visível a léguas. Não deu-se por contente: “falta o Portal do Paraíso”, diz ele, apontando o local onde fará a obra de pedras para demarcar a entrada no seu éden particular.

Bem mais adiante, no Campo do Zinco, o sr. Egon também diz estar certo de possuir o paraíso; deve haver dezenas nessas paragens. Não fez anjos nem plantou hortênsias,mas construiu um refúgio de sonhos, para abrigar os turistas que vão até ali principalmente para ver a Cachoeira do Zinco – uma queda forte, alta e linda, bem nos moldes dos mais perfeitos Édens.

Do Zinco a pedalada segue, no segundo dia de viagem, rumo a Doutor Pedrinho. A amplitude dos campos vai dando espaço às plantações de arroz e seus espelhos de paisagem. Na cidadezinha, a Bella Pousada desponta numa colina amena. Lá de cima, “o melhor visual de Doutor Pedrinho”, comenta a proprietária Izabela, com razão. Na Pousada encontramos dezenas de competidores da Volta de Mountain Bike de SC, que dividiram conosco um menu divino (mais um paraíso…) .

Durante a manhã, como de praxe, passamos por uma valiosa sessão de alongamento, sob os cuidados da Lore, nossa colega de trabalho  e também professora de yoga.

Na tranquilidade de cicloviajantes, vamos ladeando os arrozais quando um barulho de enxame invade a cena. São os competidores, um batalhão de mountain bikes nervosas colorindo o quadro, para em segundos sumir de vista.

Enquanto eles correm nós paramos, para curtir a Cachoeira Véu de Noiva. Antes, uma caminhada de 1 km na mata florida, o dia ensolarado deixa tudo com um brilho a mais. Mas nem o sol espantou o gelo da água: de trincar os ossos, mas muitos experimentaram o banho! Nada melhor do que estar diante de tamanha força.

No final deste dia chegamos à Região dos Lagos. São as barragens das hidrelétricas, cujo entorno abriga sítios, vivendas, casa de veraneio. Na Barragem do Pinhal o sr. Raulino Duwe vem nos buscar de barquinho (que agora tem até motor!).  Ali provamos uma certa sensação de isolamento, e também da simplicidade dos Duwe, pessoas pra lá de tranqüilas.

Na manhã seguinte mais uma sessão de barquinho. Agora todos os caminhos levam para baixo, a parte baixa do Circuito Vale Europeu. Do Alto Rio dos Cedros vamos descendo, descendo muito. Até chegar à Ponte Rio Milânes, uma daquelas maravilhosas pontes com telhado, coisa de alemães. Esta, já sem uso para travessia, tem mesinhas, e seus beirais são enfeitados com flores. Talvez o lugar mais insólito e belo em que fizemos nosso lanche do dia.

Depois de 4 dias pedalando concluímos a viagem em Timbó, no imperdível Restaurante Thapyoka. Para celebrar, uma indefectível torre de chopp, afinal de contas de ferro são apenas nossas magrelas, e estamos em plenos festejos de outubro. À mesa recordações, fotos, risadas, trocas de e-mails e o próximo plano: Cicloviagem em Urubici, no feriado de 15 de novembro.

Vamo´simbora???

Confira abaixo as fotos da cicloviagem no feriado de 12 de outubro. Nesta seleção estão algumas das fotos. Caso queira o DVD com todas as fotos,visite a página de fotos no site.

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3 respostas a Vale Europeu: 4 dias da parte Baixa à Alta, e vice-versa

  1. Lore disse:

    Oi Fer! Muito bom seu texto, lendo ele revivi os momentos tão especiais da viagem! Até a próxima!! Bjao, Lore

  2. Cristina disse:

    olá, galera! Meu marido e eu estamos nos programando para fazermos o “circuito do Vale europeu ” de bike e estas fotos de vocês nos deixaram com mais entusiasmo; com certeza nossa viagem para lá será em breve…

  3. Itamar Vieira disse:

    Valeu, no final de dezembro 2010, com a amigável companhia do Aldolino Andrioli a partir de Rodeio, completei o circuito de cicloturismo.
    Toda vez que fazemos um caminho (caminhada, cicloturismo, viagem de carro, etc) temos nossa sensação e emoção.
    Assim, vendo tuas fotos maravilhosas e textos, tive oportunidade de reviver o caminho e fiquei com vontade de voltar.
    Depois deste verão, juntamente com esposa e amigos interessados, vamos completar tb o circuito na condição de caminhante.Estamos no Alto Benedito. Falta só um pouquinho.
    Topam. Vamos fazer contato para caminharmos juntos.
    abçs, Itamar

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