Treininho pro Audax: tomar cerveja em Blumenau

Huli Huli, Galera;;;

Pois falando em treininho, ritmo passeio, o Ronaldo, o Jorge e eu, saímos de Floripa no sábado à tarde, exatamente às quatorze, com um solisco de assar o coco. Como tenho meu capacete de algodão cru, pra proteger as protuberanças ouvidentes, não gastei muito protetor, e seguimos pra Cidade, pelas veias entupidas de carros da Ilha da Magia.

Às duas e meia em ponto, chegávamos ao lado insular do meu Estreitos Unidos, onde o Ronaldo nos esperava, com a sucatinha do Alessandro, pronto pra seguirmos. O abraço de reencontro e o gole d’água foi o que demorou a paradinha. Seguimos pela via iônica (liga apenas dois conceitos), até a Praia do cagão, pegando a Escola de Aprendizes, com
o vento nordeste soprando de frente, desejando boa viagem. Lá pelas bandas do Rio Biguaçu, começou o chuvisco miúdo. Aquele que vem de mansinho e vai molhando o corpo todo, até que o caldo de chuva e suor começa a molhar o selim. E assim seguimos, pegando a BRIOI, com o Jorge seguindo adiante, com o Ronaldo no seu calcanhar.

A primeira parada pro Caldo de cana sem suco de barbeiro, foi lá pelo pedágio de Porto Belo. Salgadinho, co.. ..la, guaraná. Sum. Getorade…. A sede não dá mole e a baba seca. hehehehe… aí, aos setenta quilômetros de casa, a gente quer mais é continuar.

Se o vento nordeste começou em Biguaçu, quando rumamos pra Ilhota, a formação de uma tempestade vinha descendo da Serra. Um pretume de dar medo, e estrada seguindo o Itajaí açu, com suas águas barrentas e bem agitadas. Lembrei quando fomos ao Encontro de Cicloturismo, em Camboriú, e ficamos ilhados, em 2009. Mas, no sábado, parecia que não seria tanto. E nóis, seguindo que seguindo.

Quando o trecho é longo, eu costumo ligar meu computador de bordo em 25 km por hora. Não passo disso. Isto porque tento não esticar muito a carcaça, mantendo energia para todo trecho. No audax 600 km, do ano passado, largamos a prova acompanhando uns coelhos, que largaram tentando pegar o Della e o Nilson. Até que dois deles embolaram,
causando uma pausa de quase uma hora, aguardando o resgate com eles. Mantivemos um ritmo forte o tempo todo, pra recuperar tempo. Resultado: a partir dos 350 km, meu tornozelo começou a inchar, avisando que eu tinha passado dos limites. Quando dei um vacilo, aos 453 km, caí num buraco do acostamento, rompendo os dois pneumáticos.
Fodeu.

Mas no sábado passado, tudo ia maravilhosamente dolorido, com a motivação e a alegria de chegar mais uma vez em Blumenau. Já é a quinta, mas a segunda que vou no bate/volta. Ein prosit (acho que é assim…. (Saúde…). Quando chegávamos em Gaspar, aquela nuvenzinhona chegou sobre nossas cabeças quentes, nuns pingos que pareciam bolas de gude. Só pra esfriar o couro, já pouco amaciados naquele momento. – Benza deus. Só porque sou ateu….!!!!

Uma parada para um rango, aproveitando a acolhida da chuva. Restaurante caseiro. Chuleta na tauba, arroz, feijão,
batatafritasetomate….. Bohêmia….Liguei pra casa da irmã, que supostamente nos aguardava, e nada. No final da janta, faz-se o contato com o nosso convidente, um ex ciclista, amigo do Della, e meu cunhado, e subimos até a Rua Bahia, lá
perto da fábrica do Seu Yung. Isso há era mais ou menos dez da noite. Diz a lenda que havíamos pedalado de 160 a 175, de acordo com a lonjura da casa de cada um.

Ali já começava a aparecer as dores da assadura. Como comprei um calção novo, pois perdi minha mochila com todas as coisas, na penúltima expedição, o esteporento começou a provocar assaduras na papada da bunda, roçando a costura na altura do encontro do fêmur com a bunda. Duas feridas, que a pomada antiassadura não conseguia
impedir. Do outro lado, o ‘bilau’, que vai saculejando entre o calção e o imbigo, começa a mostrar sinais de insatisfação. Avermelhado, quase em carne viva, me deixou preocupado com o caminho de volta. Passei tanta pomada que pensei que o havia afogado, e voltei, com o calção ainda molhado, até que as coisas secassem naturalmente.

Depois de tomar uma Eisenbahn (será que é assim que se escreve??), comer sandubinha, café e sobremesa, nos encaminhamos na noite às vezes estrelada, de vota pra casa, exatamente por volta de duas da matina. O
nosso anfitrião nos acompanhou até a saída da cidade, quando a Rodovia Jorge Lacerda nos indicava por onde seguir. Floripa que nos aguarde. Já estamos chegando.

Com o passar do tempo, as assaduras começam a crescer e se multiplicar. Daí começa a segunda fase crônica, que é tentar mudar de posição, pra tentar evitar a dor. Começa o duplo desconforto. Daí, começa o exercício de respiração, pra tornar a coisa o mais agradável possível. Contamos os números que vão aparecendo no acostamento, lemos
as placas de propaganda. Na cidade de Ilhota, a coisa é mais dolorida. Ao apreciar os out doors, com propaganda das fábrica de lanjerri, a coisa se complica, pois a exitação provoca uma maior área de exposição do glorioso com o calção, que já começava a apresentar sangramento.

Quando paramos num posto, em Itajaí, o pessoal da loja de conveniência curtia a nossa cara. Três coroas malucos, fantasiados de moleques, perdidos na BRIOI, com cara de quem não sabe de onde está vindo. -O sô vai pra onde? – E veio de onde? Quando a gente respondia, logo perguntam se é promessa. – Sim. Estamos prometendo nunca mais parar de pedalar…

Dali em diante, as paradas começam a ser mais necessárias. De trinta em trinta. Itapema, Biguaçu, já com o dia amanhecendo. É uma curtição, rever a paisagem madrugueira, na Baía de São Miguel. (Eu eu eu… o
Ike se fud….). Paradinha no Vitória Régia. De repente, um microônibus, lá do Rio Grande do Sul, rumo a Aparecida do Norte. Huli Huli!!! Fiquei imaginando as perninhas, daqueles romeiros, naquele mercedinho, com bancos que não reclinam. UUUiiiii… com certeza estavam sofendo mais que nós. Afinal, eu passara as últimas oito horas
pedalando, enquanto eles encarangavam…. Enfim, isso só serviu pra aliviar o sofrimento do meu romeirinho, que já dava sinal de fraqueza cardíaca. Totalmente em carne viva… Cheguei a pensar em tirar uma foto, pra mandar pro Della, mas como ele não guardou o segredo da vez passada, preferi desistir…

Enfim, seguimos na nossa última etapa, abastecidos de um sandubão misto frio e um copo de café com leite, tomando rumo conhecido, já tantas vezes trilhado, de Biguaçu ao Campeche. O Sol, como sempre, vem dar sua companhia, para os últimos momentos de jornada, só pra afinar o suor. Eita nóis….. Lá pelos Estreitos Unidos o Ronaldo se
despediu, seguindo o Jorge e eu, pra Ilha de todos os encantos e alegrias, pra dar uma folga pro esqueleto, muito bem merecida. No final, eu sonhava com um caldo de cana, do tiozinho perto do encruzo do Campeche. Não tinha. Estava fechado. Era domingo, dez horas da manhã.

Pelo meu marcador, pedalei 307 km e 405 metros, em exatas vinte horas e dez minutos. Doeu, mas, não sei porque, valeu…..

E isso, moçada… E no dia 26, próximo vindouro, vamos encarar os 600 km, lá nas bandas das serras gauchescas. De tanto que andamos por lá, já tô até com medo de viciar em chimarrão. Vamos ver como nos saímos nesta etapa, que vai abrir a ficha de inscrição para a prova de agosto. Lá, sim, o pau vai comer;;;;

Huli Huli

Saudações recicladas

Luiz Pereira

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Uma resposta a Treininho pro Audax: tomar cerveja em Blumenau

  1. DanielBiólogo disse:

    “Eu si divirto cum us relatos” do Pereira.
    Imaginem então pedalar ao lado dele….
    E vamos pedalar…..hahehahe

    Huli Huli …

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