Dos nossos sertões de Sul, Brasil e mundo: a fantástica Chapada Diamantina

por: Fernando Angeoletto

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Quem nos conhece há mais tempo sabe que nossa origem é nos sertões do Sul – pelos caminhos “esquecidos” nos arredores da querida Ilha (Floripa), moldamos a prática de contemplar caminhos à nossa maneira, que começou por plena curtição e hoje acumula 12 anos de trabalho como empreendimento consolidado do cicloturismo.

E se é fato que “o Sertão está em todo lugar”, natural seria expandir limites: e assim o fizemos, abrindo roteiros em outros países, além de apostar em outros expressivos hotspots nacionais.

Foi com esse espírito que criamos o pacote de uma semana pela Chapada Diamantina (que tem uma saída em breve, de 04 a 11/09/ 2016), destino-desejo de 10 entre 10 viajantes de natureza do planeta.

 

Antes de qualquer impressão mais a fundo, convém dizer que “a” Chapada não é apenas uma: suas feições estão mais para uma miríade, prova disso é que sua zona de influência abrange ecossistemas de biomas como Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga – até um pequeno pantanal figura entre os atrativos.

Em nosso roteiro, que parte de Lençóis no rumo sul, a primeira parte é marcada pela Estrada do Garimpo e o mar de águas que despenca da Serra do Sincorá. São freqüentes as travessias por regatos que podem passar dos joelhos, em áreas que comumente foram assoreadas nos períodos de lavras. Com um sol de rachar os miolos, ninguém reclama das freqüentes possibilidades de refresco.

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Nesta trip que operamos em agosto passado, o sócio da CdS Jonatha Jünge pôs à prova uma fatbike, desenvolvida para “comer neve” nas altas latitudes da América, mas que também mostrou-se adequada a certos obstáculos chapadianos.

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Neste dia de enfrentar as águas, fomos acompanhados por um bravo Polaris, um jeep beirando o anfíbio que mostrou-se valente veículo de apoio naquelas condições

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O dia termina com a desafiante subida em estrada de pedra rumo a Igatu. Ali, a pousada Flor de Açucena é um dos atrativos: com uma bela arquitetura que valoriza e se integra aos desenhos de pedras da região, oferece um incomparável mirante à Serra do Sincorá.

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No café da manhã, as boas vibrações do local são acompanhadas de ilustres visitantes.

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Igatu, tombada pelo IPHAN, é um registro vivo da saga dos diamantes pela região, que teve seu auge no século XIX. Àquela época, chegou a ter 7.000 habitantes – reduzidos hoje a pouco mais de 400, que confere o agradável ar pacato à cidadezinha. De modo artesanal, perscrutar as águas ainda é hábito corrente nos arredores, e boa parte do que se encontra é transformada ali mesmo em pitorescos ateliês, nas mãos de artistas sempre dispostos a falar sobre seu ofício aos visitantes.

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Deixando Igatu vamos ladeando o rio Coisa Boa, ladeira abaixo, por caminhos de pedra bem técnicos e paisagens incríveis que nos transportam à remota era do garimpo.

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Depois da trilha seguem-se caminhos alternados entre asfalto e bons estradões de terra. A meta é o município de Nova Redenção, onde a cornucópia de belezas da Chapada nos apresenta o Poço Azul. Antes de nos entregarmos ao desbundante mergulho em suas águas, alimentamos o imaginário ao conhecer a fantástica descoberta científica que teve o Poço como palco há 10 anos, quando ossos de preguiças gigantes (estimadas em 4,5 metros e várias toneladas quando vivas) foram encontrados por ali.

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No terceiro dia de pedaladas, deixamos Mucugê e já estamos à oeste da Serra do Sincorá. Caminhos de terra vermelha serpenteiam planícies de um microclima especial, perfeito para os cultivos de cafés especiais que se mesclam às paisagens. Quando o fôlego estiver à prova na subida da Serra do Cansa Cavalo, recupere-o parando e olhando para trás: a eseptacular Chapada agora nos apresenta o Esbarrancado, com 1700m, seu ponto culminante.

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No fim do dia, estamos no famoso Vale do Capão – acessado pela imponente elevação de 550m em 19km a partir de Palmeiras, ou em carona no carro de apoio – este dia é o mais longo e mais puxado de todos!

É a partir do Capão que fazemos o imperdível trekking de 5 horas (ida e volta) até a Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do Brasil. Antes de encontrar com a gigante, os olhos descansam contemplando um imenso jardim, com a profusão de espécies de flores preservadas pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina. Lá chegando, se a vertigem permitir você pode se deitar na pedra à beira do abismo e contemplar a água despencando  340 metros abaixo.

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Nesta noite, dormimos na Pousada do Major, contígua à Gruta da Pratinha. Pela amanhã, a pedida é flertar com as delícias do local. Na flutuação na fenda escura, vamos aguçando os sentidos e descobrindo, com a ajuda da lanterna subaquática, as belezas que a água esculpiu. Mas é no retorno, na entrada da Gruta, que o espetáculo atinge o auge: ali topamos com milhares de peixinhos em meio à luz azul que cintila em todas as direções.

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No mesmo dia ainda visitamos a Gruta Lapa Doce, esta em solo seco, mas também repleta de mistérios e belezas. Na caminhada para esta Gruta, a paisagem alterna-se entre a caatinga e os rastros da atividade geológica na região.

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Mas o balaio de maravilhas do dia não termina por aí. Já que estamos bem próximos dele, a regra manda que, ao final do dia, façamos a caminhada para contemplar o por do sol por cima do Morro do Pai Inácio. Reza a lenda que o personagem que dá nome ao local era escravo de um coronel dos diamantes. Como o escravo envolveu-se em adultério com a esposa do feitor, o fato acarretou em pesadas diligências contra ele, que refugiou-se no topo do maior morro da região. O esconderijo não tardou a ser descoberto pelos guardas – quando acuado pela tocaia, Inácio atirou-se no abismo segurando o guarda-chuva da sinhá, tendo possivelmente rolado para algum vão das rochas sedimentares abaixo e a partir daí se tornado uma eterna lenda.

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No último dia visitamos uma centenária fábrica de doces artesanais, nos Campos de São João. A partir daí, caminhos suaves nas Gerais do Camelo nos conectam a visuais espetaculares da região, com destaque para os Morros do Camelo e do Pai Inácio.

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Eis aí o que os olhos das lentes e um breve relato podem resumir sobre este que é sem dúvida um dos mais belos destinos do mundo. Não perca a chance de interagir com ele usando todos os sentidos na próxima saída, em setembro de 2016!

Veja o álbum de fotos completo!

 

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