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Novidades e atrativos na Temporada das Baleias

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Faltando motivos para aderir à Temporada de Baleias (cicloturismo de 3 dias, no feriado de 7 de setembro, pelo litoral sul de SC)?

Então confira:

ATRATIVOS
- visitas ao Projeto Baleia Franca e ao Museu da Baleia
- pedal por 11 praias, desde Itapirubá (Imbituba) a Floripa
- grandes chances de avistagem de Baleias Francas, que freqüentam esta parte do litoral de julho a novembro.
- visita monitorada ao Projeto Ambiental Gaia Village na Praia do Ouvidor
- caminho inédito cruzando o Gaia Village, atravessando a restinga e fechado ao trânsito de carros
- café tipicamente indígena-açoriano no Engenho Artesanal das 3 Irmãs (comunidade 3 Barras, Palhoça), incluindo delícias como a Bijajica e outros quitutes
- travessia de barco entre a Praia do Sonho (Palhoça) e Caieira da Barra do Sul

PEDALADAS
- leves, média de 40 km/dia, predomínio de trechos planos à beira-mar (exceto no Morro do Siriú)

POUSADAS
- pernoites com jantar e café da manhã na Pousada Rosa e Canela (praia do Rosa) e Pousada do Taxo (praia do Siriú)
(quarto duplo ou triplo)

PACOTE DE SERVIÇOS CAMINHOS DO SERTÃO
- traslados, hospedagens com alimentação, veículo de apoio com acompanhamento integral, guias mecânicos e socorristas, travessia de barco, mapas detalhados da viagem

VALOR PROMOCIONAL PRORROGADO
Foram prorrogadas as inscrições com desconto até 27/08 (quinta)! Restam poucas vagas, garanta a sua!
para mais detalhes veja a página do roteiro

Caminhos do Sertão participa de reportagem nacional em Urubici

terça-feira, 14 de julho de 2009

Em maio, acompanhamos o fotógrafo André Dib, da revista Aventura e Ação, durante uma reportagem sobre Urubici. Fizemos juntos 3 pedaladas pela região, incluindo a Travessia do Parque Nacional de São Joaquim, entre Vacas Gordas e Bom Jardim da Serra, com direito a passagem pelo Cânion Laranjeiras. Os atrativos mais conhecidos também foram contemplados, e um pernoite no Sítio Arroio da Serra nos inspirou a oferecer esta pousada ecológica como acolhida em nosso próximo pacote (06 a 08/08).
Além das pedaladas, Dib aventurou-se também por um trekking de 3 dias, guiado pelo pioneiro Juan Rivas, uruguaio que um dia veio conhecer a nascente do Rio Canoas e de lá nunca mais saiu. A caminhada, que é também uma travessia do Parque Nacional em outro sentido, bordeou a Serra em visuais impressionantes, finalizando nos altos do Morro da Igreja.
O resultado disto tudo, incluindo outras pautas agregadas – como a reportagem sobre meio-ambiente, produção orgânica e turismo rural, assinada por mim – foi uma matéria densamente recheada, de 28 páginas, com novos olhares sobre a cidade que compõe um dos 27 roteiros lançados no último Salão de Turismo nacional. Na foto de capa, o parceiro Jonatha Junge exibe sua bike em pleno Morro da Igreja, com vista pintada à sol de fim de tarde na Pedra Furada, sugerindo uma das atividades com mais expressividade na região.
Em Floripa, a revista pode ser encontrada em bancas da Trindade, Centro e Lagoa. Em São Paulo há vários pontos de venda pela cidade, incluindo bikes shop e lojas de aventura. Compre e divirta-se!

por Fernando Angeoletto

Veja o álbum de fotos completo.

Audax 2009: um grande feito, apesar das trapalhadas da Polícia Rodoviária Estadual

terça-feira, 30 de junho de 2009

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> Veja aqui as fotos do Audax Floripa 2009

Nem a chuva fina na madrugada fria, nem a descabida proibição da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) impediram a realização do Audax Floripa 2009, ocorrido em Florianópolis no último domingo, 28 de junho. O evento ciclístico, que reuniu 340 participantes, ocorre sob licença do Audax Club Parisien, que organiza a prova e registra os tempos dos participantes de todo o mundo desde 1921.

A etapa realizada em Floripa teve um percurso de 200 km, contornando praticamente toda a Ilha, a partir do Costão do Santinho, e repetindo alguns trechos para fechar a distância estabelecida. Os 259 participantes que cumpriram todo o trajeto, até um tempo limite de 13h30m, receberam um “brevet” que os habilita a participar da etapa seguinte, de 300 km. Esta etapa ocorrerá em Criciúma, em setembro.

A filosofia do Audax prioriza a superação pessoal e a contemplação dos trajetos, não é uma prova competitiva. Cada participante é autônomo e, pelas regras da prova, não pode receber auxílios externos (embora a solidariedade seja freqüente entre os que estão pedalando) e deve submeter-se à legislação de trânsito vigente. Ademais, todos os inscritos são obrigados a usar capacete, sinalização de segurança e colete reflexivo, além de serem assistidos por apólice de seguro de vida.

Cerca de 75% dos inscritos no Audax vieram de outras cidades e estados. Este dado reforça o propósito do evento, o foco no Cicloturismo, o uso da bicicleta para conhecer e interagir com os lugares. Sob o ângulo privilegiado de quem pedala, os visitantes puderam apreciar as mais belas paisagens de Floripa, passando por Canasvieiras, Jurerê, Santo Antonio, Cacupé, Centro, Ribeirão da Ilha, Armação, Pântano do Sul, Lagoa da Conceição, Praia Mole e Rio Vermelho.

Trata-se de um evento de suma importância para Floripa, especialmente na atual conjuntura, em que a cidade registra a triste marca de estar entre os piores locais do mundo em questões de mobilidade urbana. Estimular o uso da bicicleta, transporte ecologicamente correto e que pode ser um grande aliado para desafogar o trânsito, é um grande mérito do Audax e que deveria ser levado em consideração por todas as autoridades e agente públicos que querem o bem da cidade.

A Polícia Rodoviária e o desserviço aos 340 cidadãos de bem

No entanto, um fato bastante lamentável causou vergonha a toda Florianópolis, anfitriã pela primeira vez de um evento da envergadura do Audax. Embora todos os trâmites legais tenham sido cumpridos pela organização, que enviou pedido formal de autorização 20 dias antes da realização da prova, o comando local da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), numa clara demonstração de incompetência e desrespeito, tratou de proibir o Audax dois dias antes da data marcada.

Na véspera, em contato com grande parte dos inscritos (num total de 447 pessoas), os organizadores assumiram o cancelamento da prova, colocando-se à disposição para devolver a quantia paga na inscrição. Porém, como ninguém se sentisse “fora de lei” apenas por andar de bicicleta, não houve nenhum pedido de devolução.

Assim, ficou acertado entre os próprios participantes que todos largariam, embora a prova estivesse oficialmente cancelada. Pouco antes do horário previsto para o início (6 da manhã), um dos organizadores do Audax, o sr. Milton Della Giustina, referência em ciclismo competitivo e questões de mobilidade urbana, recebeu uma ligação do comandante da PRE com o seguinte comunicado: “o governador do Estado proibiu a realização deste evento.” Ao que lhe foi respondido, conforme decisão da véspera, que a prova estava cancelada, embora não houvesse nenhum dispositivo legal que impedisse os ciclistas de pedalarem por conta própria na cidade.

Não bastasse o telefonema, os policiais protagonizaram ainda uma atitude que beirou o ridículo. Viaturas passavam pelos pedalantes no Rio Vermelho, de megafone em punho, gritando que “aquele evento não estava autorizado, e os participantes estavam correndo risco de morte”. Um vergonhoso contrasenso, por 3 motivos:

1) Embora a justificativa da proibição tenha sido a “falta de efetivo”, 4 viaturas da PRE estavam envolvidas na patética ação descrita acima

2) Com a descabida proibição da PRE, todo o serviço de sinalização do percurso, bem como a organização dos Postos de Controle, foi seriamente prejudicada, por temor à represálias; isso sim poderia ter causado problemas à prova, o que felizmente não foi registrado.

3) Quem pedala pelas ruas de Floripa diariamente, independente de qualquer autorização, está sempre correndo riscos, por estar em vias que priorizam os automóveis e a velocidade;

Ao Sr. Luis Henrique da Silveira, Governador de Santa Catarina, fica registrado o repúdio em nome dos 447 ciclistas inscritos do Audax, um evento que atraiu turistas, divisas e qualidade de vida para o estado e que, lamentavelmente, foi tratado como caso de Polícia.

Autor: Fernando Angeoletto (Caminhos do Sertão)

Mais informações no site do Audax Floripa

Audax Floripa 2009, pedal de 200km pela ilha.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

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Em 28 de junho de 2009, acontecerá em Florianópolis o desafio Audax, com 200km de bicicleta cruzando a ilha de Santa Catarina.

Todas as informações, detalhes do percurso e inscrições no site oficial do evento:
http://audaxfloripa.com.br/

Bicicletadas na Lagoa vão reivindicar Ciclovia

quarta-feira, 25 de março de 2009

por Fernando Angeoletto

Clique na imagem para ver a galeria de fotos de edições anteriores.

Novos ecos sobre antigas reivindicações voltam a agitar a cena da Lagoa da Conceição. Movimentos comunitários vão às ruas de bicicleta, no próximo dia 4 de abril, para inaugurar uma série de Bicicletadas que pretendem reavivar nas agendas dos gestores públicos a urgente construção da ciclovia na Av. Osni Ortiga. Todos os ciclistas e cidadãos engajados pela humanização do traçado urbano estão convidados, e o encontro acontece às 14:30 na sede da AMPOLA (Associação dos Moradores do Porto da Lagoa, vide mapa). O evento será reproduzido ao longo de todo ano, sempre no primeiro sábado de cada mês. (veja aqui o mapa do primeiro trajeto)

Dona de irresistíveis encantos naturais, a Lagoa parece ainda não ter reconhecido seu potencial e segue à mercê de um urbanismo decadente, cada vez mais voltado ao automóvel, que aprisiona o cidadão numa pseudo-bolha de conforto, lhe rouba grande parte da paisagem e o condena a perder preciosas horas ancorado em intermináveis filas. Perdem os motoristas, perdem ainda mais os ciclistas e caminhantes, sobretudo numa faixa de orla como a Av. Osni Ortiga, onde os olhos de contemplar a Lagoa são obrigatoriamente atentos ao fluxo dos furiosos carros que, por um momento livre dos engarrafamentos, descontam todo o tempo perdido com o pé no fundo do acelerador.

Em recente reunião na AMPOLA, políticos, líderes comunitários e técnicos do IPUF lembraram que estiveram no mesmo lugar, há 12 anos atrás, discutindo a mesma coisa (necessidade da ciclovia). Não falta projeto, muito menos verba: a gestão anterior de Dário Berger não implementou a obra, apesar de ter havido verba alocada para este fim. Que então se fortaleça o protagonismo de pedestres e ciclistas e a participação popular: é para isso que servem as Bicicletadas, manifestações legítimas de ocupação das ruas por um espaço público mais justo e humano. Os eventos são organizados pela AMPOLA e contam com apoio da Viaciclo e da Bicicletada.


Veja também informações na página sobre a bicicletada da lagoa no site da viaciclo.

São Pedro de Alcântara pedala!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Clique na imagem para ver álbum de fotos completo

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No último domingo, durante a primeira festa do aniversário da imigração alemã em SC, o município de São Pedro de Alcântara lançou o programa “São Pedro Pedala.” Com a circulação de um Ciclo-Táxi e panfletagem, a cidade expôs aos moradores e convidados as metas para 2009, que são a criação de rotas de cicloturismo e ações de estímulo ao uso da bicicleta.

Neste momento em que se comemoram os 180 anos da chegada dos alemães, a prefeitura de São Pedro, além de recuperar as antigas tradições, traz à tona um importante traço cultural contemporâneo do povo germânico: o uso da bicicleta, não só nas cidades como na prática do cicloturismo, uma vez que a Alemanha é mapeada em todo seu território com as rotas para se viajar de bicicleta e tem um público cada vez mais cativo. Dados de 2006 apontam que o cicloturista alemão contribui com a movimentação de 5 bilhões de euros no país. Atualmente, o mesmo público sai em busca de novos cenários para viagens de bicicleta, tendo o Brasil como um dos destinos com grande potencial.

Há cerca de um ano, Judith Weibrecht, jornalista alemã especializada em cicloturismo, esteve em São Pedro para visita e tomada de dados para reportagens. Ela foi assessorada pela equipe Caminhos do Sertão e pelo Sr. Eldon Jung, da ONG ABC Ciclovias (Blumenau). Nesta ocasião foi fortalecida a idéia que culminou no programa “São Pedro Pedala”, hoje colocada em curso por iniciativa das coordenações de Turismo, na pessoa do Sr. Daniel Knabben, e Cultura e de Meio Ambiente de São Pedro, representada por Valcir Kretzer Junior .

São Pedro de Alcântara, generosa em caminhos de terra, redutos de Mata Atlântica e registros culturais da imigração, e com vários municípios vizinhos a menos de 30 km de distância, tem enorme potencial para atrair praticantes de cicloturismo e, conseqüentemente, fortalecer a economia do município. Muitos de seus habitantes, conforme se pôde avaliar no evento de domingo último, são usuários de bicicleta e podem usá-la ainda mais caso seja ampliada a segurança, sobretudo nos trechos recém-asfaltados da cidade.

O programa “São Pedro Pedala” tem a operadora Caminhos do Sertão como parceira no desenvolvimento do cicloturismo na região. Há quase 5 anos, em nossa primeira pedalada como operadora, já havia o prenúncio: nosso roteiro número 1 foi justamente na região de São Pedro de Alcântara. Retornar ao município com a missão de alavancar o cicloturismo é, sem dúvida, um honroso compromisso. O programa tem também como parceiros a ONG ABC Ciclovias e a LJ Mobilidade Sustentável, que desenvolve projetos junto a municípios e empresas no sul do Brasil.


Cicloviajantes de todo o Brasil reunem-se em Timbó

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Na véspera do último feriado, o projetista Grey Rombach deixou sua casa, em São Paulo, bem cedo. Teria onze horas de viagem pela frente, rumo a Santa Catarina. Seu carro não é pequeno, mas mesmo assim não foi nada fácil acomodar as bagagens da família toda: a mulher, Ana Lucia, e as 4 filhas, com idades entre 11 e 20 anos. Para o arsenal ficar completo, havia ainda 6 bicicletas, uma por passageiro, distribuídas ao longo do teto e na traseira do automóvel.

Grey faz parte de um grupo ainda pouco conhecido no Brasil, o dos cicloturistas. Assim como ele, cerca de 150 pessoas viajaram até a cidade catarinense de Timbó (SC) para participar do V Encontro Nacional de Cicloturismo, entre 2 e 5 de novembro. Basicamente, o assunto ali era um só: viajar de bicicleta. Mas a variedade de “tipos”, personalidades e faixa etária de quem estava ali, demonstrando um envolvimento passional com as pedaladas turísticas, foi impressionante.

Equipe Caminhos do Sertão: 5 dias de bici, entre Floripa e Timbó

Para nós, da equipe Caminhos do Sertão, o Encontro era novidade. Pela primeira vez participaríamos de tão seleta confraria. Chegamos a Timbó no clima ideal: pedalando desde Floripa numa viagem de 5 dias, totalmente autônoma, com tudo que precisávamos distribuído pelos alforjes.  Cruzamos serras, e até rio sem ponte. “Chuva e sol, poeira e carvão… e alegria no coração!” A letra de Gonzagão não poderia ser mais adequada. Transborda poesia na vida do viajante.

Pois quem é que não se inspira com as flores na margem do caminho, qual jardim de conto de fadas? Ou com misteriosas e densas nuvens, docemente acomodadas sobre montanhas distantes, forradas por matas igualmente misteriosas e intocadas? “Coisas que, pra ‘mode’ se ver, o cristão tem que andar a pé…” De bici também é possível, Gonzagão, porque a velocidade do cicloturista é baixa, contemplativa, harmoniosa.

Figuras raras no Encontro

No caminho para Timbó, pensava em que tipo de público iria conhecer no Encontro. Cheguei a imaginar que seriam somente viajantes gabaritados, que iriam desdobrar-se em relatar suas epopéias de milhares de km em bicicleta. Que seriam somente jovens, de pleno vigor físico, relatando suas travessias de desertos, pântanos, sítios em guerra. Me enganei redondamente. É claro que esse perfil estava presente, mas nunca imaginei encontrar algo como a família Rombach, por exemplo.

Ou o seu Loreste Voltolini, um jovem de 72 anos, morador de Timbó, que já pedalou 90 km em um só dia. Engana-se quem pensa que o veículo dele é uma Barra Forte ou similar. “Quando eu conheci a Mountain Bike, há 20 anos, joguei fora as bicicletas sem marcha”, relata, sorrindo. Sua magrela é uma full suspension, 21 marchas, toda equipada. Só o paralama traseiro lembra os modelos antigos. “Mas só uso quando chove,  pra não molhar a bunda”, explica. A gargalhada foi incontrolável.

Vale Europeu: primeiro roteiro cicloturístico do Brasil

Seo Loreste, a família Rombach e no mínimo outra centena de pedaleiros itinerantes acompanharam, todos os dias, as 4 pedaladas promovidas pelo Encontro. Com distâncias entre 15 e 30 km, os passeios foram uma oportunidade para conhecer trechos do recém-criado Circuito Vale Europeu de Cicloturismo. Trata-se do primeiro roteiro desenvolvido no Brasil com informações especialmente direcionadas para percorrê-lo de bicicleta.

Como se vê, já foi o tempo em que os cicloviajantes eram confundidos com pagadores de promessa, ou com malucos que abandonam a família e se lançam numa aventura insana por terrenos inóspitos. Gestores públicos locais, como as prefeituras de Timbó e entorno, começam a perceber a importância desse tipo de visitante para o desenvolvimento econômico da região.

O pioneirismo em desenvolver o Circuito é mérito do Clube de Cicloturismo do Brasil, uma ONG fundada há cinco anos e que tem reunido boa parte dos viajantes de bicicleta nacionais, com seus relatos de viagens, trocas de experiências, projetos de expedições. O mapeamento cicloturístico do Vale Europeu, de excelente qualidade, foi obra dos fundadores do Clube, Eliana Garcia e Rodrigo Telles, e do sócio Walter Magalhães. O financiamento coube ao Consórcio Turístico Regional “Vale das Águas”, instituição que reúne os 9 municípios atravessados pelo roteiro. Importante também foi o incentivo e contatos dados pela ABC (Associação Blumenauense Pró-Ciclovias), incansável promotora do estilo de vida ciclista, para a criação do roteiro.

Guia precioso para @s cicloviajantes

O trajeto, de 300 km, é quase todo por estradinhas de terra secundárias, tranqüilas, num convite ao deleite e à contemplação. Duas partes distintas compõem o roteiro: a baixa, com altitudes médias de 100m e trechos acompanhando o vale dos rios, entre Timbó e Rodeio; e a alta, com altitudes que beiram os 1000m, em regiões mais isoladas, onde o caminho por vezes serpenteia a mata fechada, permitindo um maior contato com as exuberantes fauna e flora locais.

O desenvolvimento do Circuito Vale Europeu de Cicloturismo foi compilado em um guia bastante completo. Na edição, também traduzida para espanhol e inglês, o cicloturista encontra valiosas informações sobre os serviços oferecidos nas cidades, classificação das dificuldades física e técnica dos trechos, gráfico altimétrico e planilhas detalhadas. É só montar na “magrela” e sair pedalando, preparando-se para as surpresas e os atrativos do caminho – cachoeiras, paisagens bucólicas, traços culturais dos colonizadores europeus, entre tantos outros. Antonio Kolb, juiz de prova de balonismo que mora em Pindamonhangaba, não perdeu tempo: tão logo terminou o Encontro de Cicloturismo, subiu na bike e foi conferir de perto o Circuito. Deve concluí-lo em uma semana, seguindo as instruções do guia.

Pedalando na Ásia e as relaçoes entre yoga & bicicleta

Mas nem só de passeios e encontros inusitados foi feito o Encontro. Variadas palestras compuseram a programação. “De bike pela Ásia” foi uma delas, onde um casal paulista relata suas experiências na cicloviagem de 10 meses pelo continente. Para realizar esse sonho, César Pires e Ana Fukui juntaram suas economias durante vários anos. O registro visual da viagem transformou-se, pelas mãos do artista plástico César, em delicadas obras de arte. São aquarelas de encher os olhos, produzidas in loco nos confins de Vietnã, Laos e China.

Goura Nataraj, professor de yoga em Curitiba e ciclista inveterado, trouxe ao Encontro inteligentes analogias entre Yoga&Bicicleta. Como todo yogi, explica Goura, é alguém consciente de si e do seu habitat, nada mais comum do que questionar a cultura destrutiva dos automóveis. Não se propõe o extermínio dos carros, apenas seu uso mais racional. Ele também classifica o uso da bicicleta como um importante complemento aeróbico para os asanas, que são as posturas do yoga. O professor ensinou aos espectadores, na prática, duas técnicas respiratórias (pranayamas) distintas: uma para acalmar e outra para estimular o corpo e a percepção.

Seo  Valdo e os “delicados terrenos das relações humanas”

Seria impossível descrever todas as personalidades interessantes do Encontro. Foi árdua a tarefa de selecioná-las, mas assim o fiz – e o seu Valdo não poderia ficar de fora. Ex-padre, hoje com 60 anos, percorreu no início do ano um trecho de 800 km em bicicleta, no Chile. Da experiência resultou um livro, cujo título já é uma amostra do tom espartano da expedição: “Pedalando e desvendando a Carretera Austral – 30 dias com 500 dólares”. Reproduzo, abaixo, um trecho do prefácio que despertou minha atenção.

“Mais do que viagem ou aventura no sentido físico, foi uma experiência vivida em terras estrangeiras, nas terras inóspitas e belas da Patagônia e nos terrenos delicados e sensíveis das relações humanas”.

É sábio o seo Valdo. Realmente, a relação harmoniosa com os companheiros de viagem por vezes é mais difícil que as travessias de serra, as intempéries ou outras dificuldades do caminho. Para conviver e pedalar em grupo, nada mais necessário do que o exercício da tolerância, a prática do respeito, o estímulo ao companheirismo e à comunhão. São lições que o cicloturista aprende em profundidade, e faz questão de absorvê-las também no dia-a-dia, mesmo quando não está viajando.

Últimas palavras

Aos queridos leitores, confesso: estou ainda em fase de deslumbramento com tudo o que rolou no Encontro. Reconforta a alma saber que, nesse mundo tão embrutecido pelos petro-dólares, multiplicam-se as pessoas que o embelezam com seu modo alternativo de agir, humanizando as relações e o ambiente no compasso harmonioso do pedal.   Teria muito mais a dizer -  mas vou parando por aqui, afinal de contas, queremos atualizar nosso site ainda no frescor dos acontecimentos! Aos tantos amigos que fizemos no Encontro, um fraterno e caloroso abraço. Não temos dúvidas de que em algum ponto dos infindáveis ciclo-caminhos ainda vamos nos encontrar.

Por Fernando Angeoletto – Equipe CdS