Posts com a Tag ‘Caminhos do Sertão’

Cicloturismo presente no 1º Salão Catarinense de Turismo

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De 22 a 27 de março, ocorreu no Centrosul, em Florianópolis, o 1º Salão Catarinense de Turismo.  Fomos convidados pelo consórcio Citmar, que gerencia o Circuito Costa Verde e Mar de Cicloturismo , a expor bicicletas e material de divulgação no Stand do Circuito.

Também estivemos presentes no Stand da Acolhida na Colônia, que está elaborando um Circuito de Cicloturismo que integrará suas propriedades de agricultura orgânica. O Circuito Vale Europeu também esteve presente na feira.

Além dos Stands divididos por regiões catarinenses, o Salão contou com uma rodada de negócios e palestras, entre elas estudo de caso da Acolhida na Colônia e  do Circuito Costa Verde e Mar, apresentada pelo Carlos Beppler da ACBC (Associação de Ciclistas de Camboriú e Balenário Camboriú)

Notícias do Dia mostram Caminhos da Imigração Alemã

segunda-feira, 1 de março de 2010

Caminhos do Sertão e suas viagens no destino dos  Caminhos da Imigração Alemã foram destaque no jornal Notícias do Dia de 27/02/2010:

Cicloturismo. Antônio Carlos recebe grupo no fim de semana

Aqueles que adoram ter contato com a natureza e observar cada detalhe do local por onde passam têm uma boa opção de lazer: o cicloturismo. As viagens em duas rodas vêm reunindo cada vez mais adeptos ao redor do estado e fazendo com que os roteiros turísticos exploem lugares ainda não visitados. Antônio Carlos será um dos caminhos por onde passará um grupo de visitantes que prefere se exercitar em cima de uma bicicleta a dirigir um carro.

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, o grupo organizado pela empresa de cicloturismo Caminhos do Sertão sairá de Angelina, passará por São Pedro de Alcântara e chegará a Antônio Carlos. As localidades de Louro e Guiomar, cercadas por vegetação, cachoeiras e terrenos agrícolas serão os palcos principais dos ciclistas que pedalarão por cerca de 70 quilômetros nos dois dias.

Sem correr. Em média, os grupos compostos por até 20 ciclistas pedalam entre 30 e 40 quilômetros por dia.

“As coloridas plantações à beira do rio dão um ar muito gostoso ao ambiente e ao passeio”, relata o diretor da Caminhos do Sertão, Eduardo Green. Inspirada no roteiro Caminhos da Imigração Alemã, do governo do Estado, a empresa iniciou em 2004 o trabalho nas cidades que foram colonizadas por germânicos. O resultado deu certo e, pela décima vez, o município de Antônio Carlos é incluído no roteiro.

“As coloridas plantações dão um ar mais gostoso ao passeio.”

Eduardo Green, diretor da Caminhos do Sertão

De acordo com o diretor, os grupos são formados por 10 a 20 pessoas que estão em busca de descanso e contato com a natureza. O objetivo é fazer com que as pessoas pedalem, mas queremos que o pedalar não seja apenas pelo exercício de pedalar, mas que tenha uma contextualização, neste caso, a presença alemã que está hoje viva nessas comunidades”, explica. Para Eduardo, o uso da bicicleta, que se desloca a baixa velocidade, permite a apreciação dos locais, com os participantes tendo tempo para olhar para os lados, conversar e tirar fotos.

Estrutura de apoio aos participantes

Um micro-ônibus acompanha os ciclistas-turistas em todo o percurso. O veículo leva as bagagens e a alimentação necessárias para passar o dia. O diretor Eduardo comenta que o fato de as pessoas saberem que o transporte as acompanha traz segurança e as motiva a continuar pedalando. “Muitos dizem que não conseguem pedalar o trajeto todo, mas como sabem que o ônibus vai junto e há um local para descansar e se recuperar no caso de o cansaço bater, eles conseguem chegar até o fim”, afirma.

Cada grupo pedala, em média, de 30 a 40 quilômetros e as viagens podem durar de um a sete dias. Cada parada é motivo para tomar água e conversar com os colegas de grupo ou com os moradores das localidades visitadas. Segundo Eduardo, a maioria dos turistas tem entre 25 e 50 anos.

Ele garante que o interessado não precisa ser atleta para participar, já que  o percurso diário é dividido entre várias paradas e momentos para descanso. “vamos num ritmo tranquilo, o que não se torna cansativo. É um momento de socialização”, afirma. Roupas leves e o uso de capacete são obrigatórios para tornar o passeio mais agradável e seguro para todos.

Mariella Caldas

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reportagem na íntegra

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capa do jornal

Agradecemos ao Bicicleta na Rua pela clipagem, formatação e publicação. Bons pedais!

Por que viajar com o Caminhos do Sertão?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nossas práticas e princípios como operadora de Cicloturismo

PIONEIRISMO E CONHECIMENTO
Somos uma empresa especializada em cicloturismo, atuante há 5 anos, com mais de 40 viagens organizadas e operadas com sucesso

INTEGRAÇÃO
São respeitados os ritmos de todos os participantes, para que possam, desde o iniciante até o mais experiente, desfrutar por igual e integralmente o prazer de Cicloviajar. Parceiros, parentes e amigos que não pedalam podem estar na companhia do grupo durante todo o percurso, no veículo de apoio

SEGURANÇA
Nossos guias operam com GPS e radiocomunicadores entre si e em contato com o veículo de apoio, que acompanha o grupo em 100% dos trechos, com equipamento completo de primeiros socorros e socorro mecânico.

SERVIÇOS E CONFORTO
Nossas viagens tem completa estrutura de apoio, incluindo manutenção das bicicletas durante as pedaladas, lavagem, regulagem e lubrificação ao final de cada dia. Sempre atentos a dar dicas de como aproveitar melhor o equipamento os guias ajudam os participantes a conhecer melhor sua bicicleta, e ter mais prazer na pedalada.

HOSPEDAGENS E ATRATIVOS
Locais de pouso com originalidade, charme e conforto, preferencialmente em áreas rurais; roteiros cuidadosamente elaborados, por critérios de prazer de pedalar e segurança, trazendo sempre muito mais que o óbvio nos destinos visitados

NOSSOS GUIAS
Amam viajar e pedalar, compartilhando esse sentimentos com os grupos guiados e promovendo um clima de companheirismo, diversão e contemplação das belezas dos roteiros, conversando sobre bicicletas e outros assuntos, sem preocupação com rankings ou competições.

COMPROMISSOS
Compreendemos o Turismo de Aventura como uma atividade de desenvolvimento econômico regional, vinculando nosso trabalho a ações já em andamento focados em Turismo de Base Comunitária no interior de SC

Ilha e Sertão – peixinho frito, Museu e figuras ilustres

quinta-feira, 7 de maio de 2009

por Fernando Angeoletto


Se preferir, veja o álbum de fotos do evento no flickr.


A pedido de um seleto grupo de Blumenau repetimos, neste último feriado do Trabalho, a cicloviagem pelo roteiro Ilha e Sertão. E como cada viagem, por mais que seja no mesmo roteiro, tenha suas nuances e peculiaridades, com esta não foi diferente.

A primeira novidade foi a parada no rancho do seu Adilson, pai do caro colega Fabinho. Fica lá na Caieira, e haja privilégio: é à beira-mar da Baía Sul, com horizonte de águas e montanhas. Nem é preciso dizer que, em termos de peixes, a abundância é grande. Seu Adilson sabe disso – pesca invariavelmente quase todos os dias, ainda mais agora que pegou férias e não sai mais do rancho! Este simpático manezinho, descendente dos povos mais antigos da região, recebeu-nos com um saboroso “mix”, fritinho na hora: cocoroca, papa-terra, robalo, tainhota – e até baiacu (este me surpreendeu, pensei que somente os mestres japoneses tinha condições de prepará-lo)!

No mais autêntico clima caiçara, foi dali mesmo, no rancho do seu Adilson, que embarcamos para cruzar a Baía. Duas baleeiras deram conta de todo o grupo, e suas bikes. O desembarque foi, digamos, um tanto aventuroso – o mar já começava a assumir seus tons de fúria e, como não há trapiche, o trabalho é melindroso e depende da interação de todo o grupo. Missão cumprida, bonança na seqüência, com a insuperável tranqüilidade de pedalar pelos 8 km da praia da Pinheira.

Zeca do Sertão e o Arante do Pântano

A parte “Sertão” do roteiro foi reservada para o dia seguinte. Antes, a tradicional travessia do Parque Municipal da Lagoa do Peri, pelas trilhas da restinga. E almoço no famoso Arante, do Pântano do Sul. É aquele restaurante dos bilhetinhos na parede, cachaça de graça e uma culinária tipicamente açoriana preparada com o maior zelo. Desta vez, conhecemos ele mesmo, o próprio senhor Arante, dono deste que é um dos mais renomados restaurantes de Florianópolis. Tudo começou em 1958, quando o turismo era palavra desconhecida, e a pequena bodega do seu Arante e sua esposa servia a providencial cachacinha para os pescadores que enfrentavam o mar frio. Depois, passaram a servir um peixinho frito com pirão pra um, uma tainha assada para outro, e por aí foi, até tornar-se essa lenda vida da culinária local que é hoje.

Mas, voltando ao Sertão, a maioria de nossos cicloviajantes optou por subir na caminhada, sobretudo no temível e consideralvemente íngreme trecho inicial, de cerca de 1 km. O final da subida anuncia o Zeca e seu alambique, parada obrigatória para dois dedos de prosa e um dedinho de cachaça. A tarde avança, e é preciso seguir, então o papo nem foi assim tão longo como todos gostaria.

No Museu, um guia ilustre: o senhor Nereu do Vale Pereira

De volta à Pousada do Museu, no Ribeirão, houve tempo ainda para apreciar os últimos raios de sol. De noite, o altíssimo astral Marquinho e sua unida família preparou-nos fabuloso jantar. Faço questão de frisar o calor do atendimento e a qualidade dos pratos – um generoso caldo de frutos do mar, ostras gratinadas e ao natural, tainhas gigantes assadas e outras tão nobres iguarias. O Marquinho tem o dom de lidar com as pessoas, todos por ali são amáveis, e é por isso que a Pousada tornou-se para nós um lugar tão cativo.

E, justiça seja feita (eu não havia falado disso no relato anterior), é preciso contar aos amigos o que há na porção Museu daquela Pousada. O Tour pela história da Ilha de Santa Catarina é conduzido pelo senhor Nereu do Vale Pereira. Doutor em Sociologia, economista e folclorista, contemporâneo e amigo de Franklin Cascaes, o senhor Nereu é uma sumidade em termos da tão rica história local. Sucintamente, explicou-nos alguns fatos mais relevantes da descoberta e colonização da Ilha, a partir do século XVI. Depois, apresentou-se nos o acervo do Museu, abrindo janelas ao passado e ao cotidiano dos antigos moradores do Ribeirão, que é sem dúvida o núcleo habitacional mais antigo de Florianópolis. Destaque para uma caixa de música e um gramofone, em perfeito funcionamento (já havia visto vários, mas nunca funcionando).

Para finalizar, sem esquecer da menção aos nossos ilustres participantes (Norberto e Lúmen, Mariela e Rafael, Fabinho, Alessandro, Pereira e Ana, Martinha), gostaria de assinalar a presença de duas figuras raras:

- Wilberto Boos – esse eu já havia mencionado no relato anterior, mas não custa reforçar, é umas das pessoas mais apaixonadas pela Bicicleta e pelas Cicloviagens que eu conheço

- Sr. Eldon Jung – há pouco mais de 10 anos, esse ilustre senhor, hoje à beira dos 70 anos, redescobriu a bicicleta. De tudo de bom que ela pode nos trazer, ele repeta aos quatro cantos o poder da serotonina. “Pedalar libera serotononina, é o hormônio da felicidade, quem pedala é mais feliz.” Corretíssimo, seu Jung! Mas a ligação com a bici não pára por aí: em sua indústria, em Blumenau, todos os funcionários são estimulados a trocar de transporte, através de um bem elaborado programa para o uso da bicicleta. Além do mais, Eldon Jung é um incansável batalhador pelo uso urbano da bicicleta, e um dos maiores divulgadores e articuladores do Cicloturismo em nível nacional.

Aos queridos leitores, um grande abraço e até a próxima!

Cicloviajantes de todo o Brasil reunem-se em Timbó

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Na véspera do último feriado, o projetista Grey Rombach deixou sua casa, em São Paulo, bem cedo. Teria onze horas de viagem pela frente, rumo a Santa Catarina. Seu carro não é pequeno, mas mesmo assim não foi nada fácil acomodar as bagagens da família toda: a mulher, Ana Lucia, e as 4 filhas, com idades entre 11 e 20 anos. Para o arsenal ficar completo, havia ainda 6 bicicletas, uma por passageiro, distribuídas ao longo do teto e na traseira do automóvel.

Grey faz parte de um grupo ainda pouco conhecido no Brasil, o dos cicloturistas. Assim como ele, cerca de 150 pessoas viajaram até a cidade catarinense de Timbó (SC) para participar do V Encontro Nacional de Cicloturismo, entre 2 e 5 de novembro. Basicamente, o assunto ali era um só: viajar de bicicleta. Mas a variedade de “tipos”, personalidades e faixa etária de quem estava ali, demonstrando um envolvimento passional com as pedaladas turísticas, foi impressionante.

Equipe Caminhos do Sertão: 5 dias de bici, entre Floripa e Timbó

Para nós, da equipe Caminhos do Sertão, o Encontro era novidade. Pela primeira vez participaríamos de tão seleta confraria. Chegamos a Timbó no clima ideal: pedalando desde Floripa numa viagem de 5 dias, totalmente autônoma, com tudo que precisávamos distribuído pelos alforjes.  Cruzamos serras, e até rio sem ponte. “Chuva e sol, poeira e carvão… e alegria no coração!” A letra de Gonzagão não poderia ser mais adequada. Transborda poesia na vida do viajante.

Pois quem é que não se inspira com as flores na margem do caminho, qual jardim de conto de fadas? Ou com misteriosas e densas nuvens, docemente acomodadas sobre montanhas distantes, forradas por matas igualmente misteriosas e intocadas? “Coisas que, pra ‘mode’ se ver, o cristão tem que andar a pé…” De bici também é possível, Gonzagão, porque a velocidade do cicloturista é baixa, contemplativa, harmoniosa.

Figuras raras no Encontro

No caminho para Timbó, pensava em que tipo de público iria conhecer no Encontro. Cheguei a imaginar que seriam somente viajantes gabaritados, que iriam desdobrar-se em relatar suas epopéias de milhares de km em bicicleta. Que seriam somente jovens, de pleno vigor físico, relatando suas travessias de desertos, pântanos, sítios em guerra. Me enganei redondamente. É claro que esse perfil estava presente, mas nunca imaginei encontrar algo como a família Rombach, por exemplo.

Ou o seu Loreste Voltolini, um jovem de 72 anos, morador de Timbó, que já pedalou 90 km em um só dia. Engana-se quem pensa que o veículo dele é uma Barra Forte ou similar. “Quando eu conheci a Mountain Bike, há 20 anos, joguei fora as bicicletas sem marcha”, relata, sorrindo. Sua magrela é uma full suspension, 21 marchas, toda equipada. Só o paralama traseiro lembra os modelos antigos. “Mas só uso quando chove,  pra não molhar a bunda”, explica. A gargalhada foi incontrolável.

Vale Europeu: primeiro roteiro cicloturístico do Brasil

Seo Loreste, a família Rombach e no mínimo outra centena de pedaleiros itinerantes acompanharam, todos os dias, as 4 pedaladas promovidas pelo Encontro. Com distâncias entre 15 e 30 km, os passeios foram uma oportunidade para conhecer trechos do recém-criado Circuito Vale Europeu de Cicloturismo. Trata-se do primeiro roteiro desenvolvido no Brasil com informações especialmente direcionadas para percorrê-lo de bicicleta.

Como se vê, já foi o tempo em que os cicloviajantes eram confundidos com pagadores de promessa, ou com malucos que abandonam a família e se lançam numa aventura insana por terrenos inóspitos. Gestores públicos locais, como as prefeituras de Timbó e entorno, começam a perceber a importância desse tipo de visitante para o desenvolvimento econômico da região.

O pioneirismo em desenvolver o Circuito é mérito do Clube de Cicloturismo do Brasil, uma ONG fundada há cinco anos e que tem reunido boa parte dos viajantes de bicicleta nacionais, com seus relatos de viagens, trocas de experiências, projetos de expedições. O mapeamento cicloturístico do Vale Europeu, de excelente qualidade, foi obra dos fundadores do Clube, Eliana Garcia e Rodrigo Telles, e do sócio Walter Magalhães. O financiamento coube ao Consórcio Turístico Regional “Vale das Águas”, instituição que reúne os 9 municípios atravessados pelo roteiro. Importante também foi o incentivo e contatos dados pela ABC (Associação Blumenauense Pró-Ciclovias), incansável promotora do estilo de vida ciclista, para a criação do roteiro.

Guia precioso para @s cicloviajantes

O trajeto, de 300 km, é quase todo por estradinhas de terra secundárias, tranqüilas, num convite ao deleite e à contemplação. Duas partes distintas compõem o roteiro: a baixa, com altitudes médias de 100m e trechos acompanhando o vale dos rios, entre Timbó e Rodeio; e a alta, com altitudes que beiram os 1000m, em regiões mais isoladas, onde o caminho por vezes serpenteia a mata fechada, permitindo um maior contato com as exuberantes fauna e flora locais.

O desenvolvimento do Circuito Vale Europeu de Cicloturismo foi compilado em um guia bastante completo. Na edição, também traduzida para espanhol e inglês, o cicloturista encontra valiosas informações sobre os serviços oferecidos nas cidades, classificação das dificuldades física e técnica dos trechos, gráfico altimétrico e planilhas detalhadas. É só montar na “magrela” e sair pedalando, preparando-se para as surpresas e os atrativos do caminho – cachoeiras, paisagens bucólicas, traços culturais dos colonizadores europeus, entre tantos outros. Antonio Kolb, juiz de prova de balonismo que mora em Pindamonhangaba, não perdeu tempo: tão logo terminou o Encontro de Cicloturismo, subiu na bike e foi conferir de perto o Circuito. Deve concluí-lo em uma semana, seguindo as instruções do guia.

Pedalando na Ásia e as relaçoes entre yoga & bicicleta

Mas nem só de passeios e encontros inusitados foi feito o Encontro. Variadas palestras compuseram a programação. “De bike pela Ásia” foi uma delas, onde um casal paulista relata suas experiências na cicloviagem de 10 meses pelo continente. Para realizar esse sonho, César Pires e Ana Fukui juntaram suas economias durante vários anos. O registro visual da viagem transformou-se, pelas mãos do artista plástico César, em delicadas obras de arte. São aquarelas de encher os olhos, produzidas in loco nos confins de Vietnã, Laos e China.

Goura Nataraj, professor de yoga em Curitiba e ciclista inveterado, trouxe ao Encontro inteligentes analogias entre Yoga&Bicicleta. Como todo yogi, explica Goura, é alguém consciente de si e do seu habitat, nada mais comum do que questionar a cultura destrutiva dos automóveis. Não se propõe o extermínio dos carros, apenas seu uso mais racional. Ele também classifica o uso da bicicleta como um importante complemento aeróbico para os asanas, que são as posturas do yoga. O professor ensinou aos espectadores, na prática, duas técnicas respiratórias (pranayamas) distintas: uma para acalmar e outra para estimular o corpo e a percepção.

Seo  Valdo e os “delicados terrenos das relações humanas”

Seria impossível descrever todas as personalidades interessantes do Encontro. Foi árdua a tarefa de selecioná-las, mas assim o fiz – e o seu Valdo não poderia ficar de fora. Ex-padre, hoje com 60 anos, percorreu no início do ano um trecho de 800 km em bicicleta, no Chile. Da experiência resultou um livro, cujo título já é uma amostra do tom espartano da expedição: “Pedalando e desvendando a Carretera Austral – 30 dias com 500 dólares”. Reproduzo, abaixo, um trecho do prefácio que despertou minha atenção.

“Mais do que viagem ou aventura no sentido físico, foi uma experiência vivida em terras estrangeiras, nas terras inóspitas e belas da Patagônia e nos terrenos delicados e sensíveis das relações humanas”.

É sábio o seo Valdo. Realmente, a relação harmoniosa com os companheiros de viagem por vezes é mais difícil que as travessias de serra, as intempéries ou outras dificuldades do caminho. Para conviver e pedalar em grupo, nada mais necessário do que o exercício da tolerância, a prática do respeito, o estímulo ao companheirismo e à comunhão. São lições que o cicloturista aprende em profundidade, e faz questão de absorvê-las também no dia-a-dia, mesmo quando não está viajando.

Últimas palavras

Aos queridos leitores, confesso: estou ainda em fase de deslumbramento com tudo o que rolou no Encontro. Reconforta a alma saber que, nesse mundo tão embrutecido pelos petro-dólares, multiplicam-se as pessoas que o embelezam com seu modo alternativo de agir, humanizando as relações e o ambiente no compasso harmonioso do pedal.   Teria muito mais a dizer -  mas vou parando por aqui, afinal de contas, queremos atualizar nosso site ainda no frescor dos acontecimentos! Aos tantos amigos que fizemos no Encontro, um fraterno e caloroso abraço. Não temos dúvidas de que em algum ponto dos infindáveis ciclo-caminhos ainda vamos nos encontrar.

Por Fernando Angeoletto – Equipe CdS