Eu o conheci no Encontro de Cicloturismo em Timbó, em 2006. Dentre tantas e tão sonhadoras e tão raras figuras, foi a que mais gostei. Fosse pelo indisfarçável carisma de sua cara de bom velhinho, ou pela coragem de quem largou a batina e saiu se aventurando pelo mundo, Seu Valdo era mesmo um vivente muito interessante.
Apresentou-me um livro, de sua autoria. No prefácio, dados do tom espartano de uma Expedição de 800 km pelo Chile, que acabara de concluir: “Pedalando e desvendando a Carretera Austral – 30 dias com 500 dólares.” E foi ali que li uma frase do Valdo que me marcou pra sempre: “Mais do que viagem ou aventura no sentido físico, foi uma experiência vivida em terras estrangeiras, nas terras inóspitas e belas da Patagônia e nos terrenos delicados e sensíveis das relações humanas”.
Essa frase, que eu publiquei numa matéria sobre o Encontro de Cicloturismo, foi “pescada” na net e acabou entrando num material didático da Secretaria de Educação de São Paulo. Infelizmente, não tive a a chance de contar isso pessoalmente ao grande Valdo.
Mas fica a homenagem. O sábio Valdo decidiu viver seus 60 e poucos anos na estrada, pedalando uma insólita “Tanajura” (como ele mesmo chamava) numa ciranda feliz ao redor do Globo. Já tinha ido longe: o olhar de menino no rosto de longas barbas brancas passou por Peru, Equador, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Guatemala. Estava no México, a 700 km da fronteira com os Estados Unidos. Feito passarinho, voava livre em sua Tanajura. Numa noite, entrou na barraca pra dormir, e seu espírito livre quis despir-se até mesmo do corpo. Morreu tranquilamente e em paz, ao que indicam as notícias até agora, já que não houve sinais de violência nem sumiço dos pertences.
Vida eterna ao amigo Valdo, e que suas façanhas e risos sejam sempre lembrados!
Fernando Angeoletto e equipe Caminhos do Sertão


