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	<title>Caminhos do Sertão Cicloturismo &#187; Criciúma</title>
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		<title>Levando a alma pra passear: 300 km com morrebas no Audax Carvão</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 18:28:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Caminhos do Sertão</dc:creator>
				<category><![CDATA[relato de pedalada]]></category>
		<category><![CDATA[audax]]></category>
		<category><![CDATA[audax 300]]></category>
		<category><![CDATA[Audax Carvão]]></category>
		<category><![CDATA[Criciúma]]></category>

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		<description><![CDATA[por Luiz Pereira;  grifos livremente selecionados por Fernando Angeoletto O relato que se segue apresenta o resultado perceptível do que foi pedalar os 300 km que justificaram o treino teste realizado na semana passada, que nesse momento parece tão distante &#8230; <a href="http://www.caminhosdosertao.com.br/blog/2009/09/10/levando-a-alma-pra-passear-300-km-com-morrebas-no-audax-carvao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignnone" style="width: 413px"><img src="http://www.caminhosdosertao.com.br/imagens/bici_tio.jpg" alt="" width="403" height="305" /><p class="wp-caption-text">Pereira em sua Pegeout com faróis alimentados por dínamo: em breve mais 400km!</p></div>
<p><em>por Luiz Pereira;  grifos livremente selecionados por Fernando Angeoletto</em></p>
<p>O relato que se segue apresenta o resultado perceptível do que foi pedalar os 300 km que justificaram o treino teste realizado na semana passada, que nesse momento parece tão distante quanto agora são as dores sofridas durante as duas experiências. <strong>A difícil tarefa do corpo de levar a alma pra passear, proporciona-nos sensações prazerosas, que só são sentidas no momento vivido</strong>, virando boas lembranças imediatamente ao término da empreitada, e uma sedução para seguir em busca do outro limite de desafio, que são os 400 km.</p>
<p>Na condição de cicloerrante, com a conhecida aptidão física e tática, <strong>montado num equipamento bastante rudimentar</strong>, não me propunha a percorrer o trecho acompanhando meu amigo e estimulador Della, que chegou entre os quatro primeiros, mas dentro do limite de tempo que é destinado aos que querem enfrentar o desafio, na modalidade e faixa etária do cicloturismo. Enquanto o ilustre completou a prova em doze horas, eu o fiz em dezoito, no mesmo padrão do Audax 200. Daquela vez, pelas condições do terreno, a minha média foi um pouco maior.</p>
<p>Para quem ainda não conhece, o Audax tem como proposta o desafio de vencer as distâncias num tempo determinado, sem a exigência do rigor da prova. No caso do Audax 300 do Carvão, a organização elevou ao máximo o limite. <strong>Dos trezentos quilômetros, duzentos eram de estradas com lombas e serrotas</strong>, que exigiram um esforço adicional às canelas e juntas, uma paciência a mais no momento da experiência. Isso só aumentou o prazer de curtir.</p>
<p>Saímos de Criciuma às 23 horas, percorrendo os primeiros quilômetros com um carro batedor, num bloco bem concentrado, numa velocidade bem excitante. Duas motos policiais acompanhavam o cortejo, interrompendo o trânsito dos automóveis à nossa passagem. Depois disso, quando saímos do ambiente urbano, cada um seguiu no seu ritmo, vencendo as montanhotas e subidinhas, até o primeiro Posto de Controle, na cidade de São Ludgero, a uma distância de uns oitenta quilômetro. Neste trecho, vi algumas pessoas ficando para trás, por pneus furado e problemas mecânicos. Lentamente eu ia encostando em alguns pequenos grupos, que iam ficando para trás, por abandonarem o pelotão de frente, que era composto por atletas e jovens, como o meu amigo Della, que só não chegou antes dos primeiros quatro, porque parou algumas vezes para repousar sentado no Celite, graças ao jantar no rodízio de pizza, onde Ele, o Evando e o Marcelo, companheiros de jornada, deliciaram-se nos vários sabores da gloriosa massa. <strong>Os outros dois, tiveram a brincadeira interrompida, pela mesma perturbação gástrica.</strong></p>
<p>A chegada em Tubarão, às cinco e meia da matina, coroava a etapa noturna, trazendo a luz do Sol, para melhorar a visibilidade da paisagem e da estrada. <strong>Voltamos à cidade de São Ludgero, onde fomos recebidos com uma deliciosa canja de galinha caipira, que além da carne tem as vísceras (coração, fígado) e óvulos, retirados dos ovários de galinhas poedeiras</strong>. As bolotas parecem batatinha, e a gente enche o prato, só percebendo a diferença ao provar. É uma turbina proteica, excelente para proporcionar energia para vencer a etapa mais extenuante.</p>
<p><strong>Subimos a Serra do Rio do Rastro, a uma altitude de 760 metros, num trecho de cinquenta quilômetros praticamente só de subida</strong>. Esta brincadeira começou no início da manhã, durando até meio dia, quando cheguei ao topo do sacrifício. <strong>Quando me disseram que faltava apenas uns seis quilômetros, minha alma já tinha saído do corpo, e a sombra zombava da minha cara</strong>. Parei umas cinco vezes, pra me entupir de gel sei lá pra quê, barrinha de isotônico, banana seca, castanha de caju, uvas passas&#8230; até água eu tomei, neste momento de quase desistir. Doeu até a última prega, quando olhava para o horizonte, e fui ultrapassado por uma das três meninas participantes, e ouvi o &#8216;vamo tio&#8230;.&#8217;. <strong>Na última tentação sentida pelo corpo, de pensar em não chegar, fui alcançado pelo Pedrão, um curitibano de 71 anos, que xingava a mãe de todos os organizadores, e algumas ancestrais mais pregressas</strong>. Ao final, tudo se transformou em alegria, animando o trecho final, que não poderia ser pior do que isso.</p>
<p>Os últimos cem quilômetros são sempre marcados pela perda do ânimo físico, mas o aumento do moral. As dores vão aparecendo, a carne vai ardendo, mas a alegria de ver o trecho diminuindo serve como um elixir, que ajuda a lubrificar as juntas. Ao mesmo tempo, o peso do alforge vai diminuindo, pois o estoque de comida vira suor, que vai ficando pelo caminho. <strong>Foi graças ao poder de transformação da canja com ovo cozido em metano, que a potência do pedalar cresceu. Cada pum exalado equivalia a uma pedalada</strong>. E não foram poucos, durante toda a manhã. O trecho da última tarde foi um pouco mais plano, mas com muitas lombas bastante extensas até a sua totalidade. Para finalizar a brincadeira, o trânsito urbano, a falta de orientação para chegar ao objetivo, e a companhia de apenas dois novos companheiros de empreitada, com quem me juntei nos últimos quilômetros, fizeram o complemento das emoções, que só a endorfina pode proporcionar.</p>
<p><strong>Daqui de Florianópolis fomos juntos seis ciclodementes</strong>. Além do Della e do Evandro, o Jorge, nosso ilustre representante internacional, que sofreu pela derrota da sua seleção pela turma do Dunga, mas chegou bem antes que eu, e o Ronaldo, com quem pedalei praticamente todo trecho, junto o Gilmar, um ilustre camarada de Balneário Camboriu. Em grupo, conseguimos nos manter mais fortes, seja para melhorar a visibilidade, ou para compartilhar conversas e animações.</p>
<p>Apesar do rigor da prova, só tenho a registrar cumprimentos à organização, pela disponibilidade e animação da equipe, o que sempre contribui para o sucesso da empreitada. Vou me preparar para os 400 km, pra ver onde é meu limite nessa brincadeira. <strong>Andar de bicicleta é um prazer que não tem dimensão clara</strong>. Tanto nos anima nos passeios de um simples domingo, junto com a esposa, quanto essas aventuras, que nos tiram do sério, propiciando a alegria de conhecer novas pessoas, lugares e experiências. E isso não tem preço.</p>
<p>Huli Huli</p>
<p>Luiz Pereira</p>
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