Posts com a Tag ‘Urubici’

Páscoa a pedal em Urubici

terça-feira, 20 de abril de 2010

edugreen-10429 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

De 2 a 4 de Abril, estivemos mais uma vez presentes em Urubici.  Mesmo percorrendo uma distância menor no 1º e 3º dias, vistamos alguns dos pontos mais bonitos e agradáveis de pedalar na região, como Morro de Igreja, a localidade do Invernador e vale do Rio Canoas.

edugreen-10388 by Caminhos do Sertão Cicloturismo.

O clima estava relativamente quente para o outono, graças às aparições do sol em meio às onipresentes nuvens. Colaborou também a fartura do café colonial do Sabor da Serra e  a sempre calorosa acolhida do sítio Arroio da Serra, onde pudemos saborear os primeiros pinhões da temporada, colhidos do chão – a coleta nas árvores está em defeso para que os pássaros se alimentem e façam a disseminação das plantas.

Caminhos do Sertão Cicloturismo.

Intercalamos as pedaladas com caminhadas para a Cascata do Avencal, Morro do Campestre e Rio Sete Quedas. Afinal, a bicicleta permite uma boa proximidade de contao, mas nada comparável a chegar a pé.

Confira as fotos da viagem:

Carnaval em Urubici: folia equilibrada sobre duas rodas

quarta-feira, 31 de março de 2010

Carnaval em Urubici  - Fevereiro de 2010 by Caminhos do Sertão  Cicloturismo.

Carnaval é época de dançar muito samba e tomar cerveja. E morando no Brasil, não dá pra fugir disso, e ninguém quer, certo?

Nada disso. O casal Andrea e Lars, que moram em pleono Rio de Janeiro, nos procuraram querendo um roteiro na aconchegante Urubici, e nem por isso monótona. Passamos pelos principais pontos da cidade, como Morro do Campestre, Rio Sete Quedas e Vacarianos. E fechamos com chave de ouro subindo a pedal o Morro da Igreja. Pena que dessa vez estava tudo branco!

Do alto das nuvens ao lado dos peixes em 6 dias

segunda-feira, 29 de março de 2010

No final de janeiro, operamos mais uma vez a travessia Urubici-Florianópolis, roteiro exclusivo com a qualidade de serviço e experiências que só a Caminhos do Sertão oferece.

Dessa vez, guiamos Amanda e Tim, casal da cidade norte-americana de Portlan, Oregon. Apesar de nunca terem viajado de bicicleta antes, já estavam acostumados a pedalar, e se surpreenderam mesmo foi com a diversidade de paisagens e hospitalidade dos catarinenses, tanto os serranos como os manezinhos.

Urubici a Florianópolis - Janeiro de 2010 by you.

Até no Calor do Verão Urubici é agradável

domingo, 22 de novembro de 2009

Em Novembro estivemos novamente em Urubici, para uma pedalada de 3 dias. Apesar lá também ter feito calor, com certeza foi mais ameno que o do litoral. Desta vez, no primeiro dia tomamos banho de cachoeira no rio Sete Quedas,  visitamos  o Morro do Campestre no pôr-do-sol e pedalamos sob a luz da lua cheia.

Já no segundo dia fomos ao Cânion Laranjeiras, no Parque Nacional da São Joaquim. O calor intenso e a estrada ruim castigaram e acabamos pedalando pouco. Em compensação a caminhada até a beira do Cânion é inesquecível.

O terceiro dia fechou a aventura com chave de ouro. Subimos de van ao topo do Morro da Igreja, que estava com o visual totalmente aberto. Descemos os 17km devagar, para poder apreciar a paisagem. Não poderíamos deixar de passar pela linda estrada do Invernador e curtir as deliciosas refeições do Sítio Arroio da Serra, feitas com ingredientes orgânicos plantados ali mesmo.

Faça frio ou calor, chuva ou sol, Urubici é sempre uma maravilha!

Veja as fotos da viagem

Acolhidos em Urubici

terça-feira, 18 de agosto de 2009

por Fernando Angeoletto

Já me foge à memória a contagem de vezes em que estive em Urubici (desde a primeira, há 10 anos atrás, pra pedalar de lá até Floripa com o parceiro Dudu).

Nessas tantas idas ficamos nas mais variadas hospedagens, todas elas de altíssimo astral e aconchego.

Mas nada se compara a ficar, como fizemos nesta última vez, em uma Pousada de família de agricultores. Não foi aleatória a escolha da Pousada Arroio da Serra, vinculada à Associação Acolhida na Colônia. Passa pelo nosso propósito de cada vez mais alinhar as correntes do turismo de aventura aos processos de desenvolvimento regional, sobretudo à iniciativas sustentáveis e socialmente justas.

Ao ampliar o leque de oportunidades de renda, famílias como a do sr. Eraldo e Terezinha Souza, que nos receberam de um modo em que o termo Acolhida faz todo o sentido, estimulam-se a permanecer no campo e cuidar da terra através das práticas agroecológicas. Deste modo, respeitam os ciclos naturais e a harmonia com o ambiente, produzindo alimentos livres de veneno e tendo a oprtunidade de oferecê-los aos próprios hóspedes.

Se isso ainda não for o suficiente para atrair os visitantes, deve-se dizer que as acomodações são confortáveis e aconchegantes, num clima rústico de ambiente rural, mas com tudo zelosamente preparado até para os hóspedes mais exigentes. As refeições em fogão de lenha são feitas ali mesmo, aos olhos do visitante; além de inebriar-se com os aromas, é possível obter preciosas dicas da dona Terezinha sobre o entrevero, típica iguaria serrana à base de pinhão, ou outra de suas fabulosas receitas. E tem mais: o mesmo fogo que cozinha os alimentos aquece o sistema de água dos chuveiros, num projeto eficiente que garante ótimos banhos mesmo no frio de Urubici.

Mas é claro que o nobilíssimo leitor está aqui também para saber sobre o relato da pedalada. Sobre esta, digo que percorremos caminhos nada óbvios pela região, aproveitando a localização da Pousada, que fica a 10 km do Centro na direção de Rio Rufino. De lá, seguimos bordeando o Rio Canoas pela margem direita, até encontrar o asfalto já numa das últimas descidas da Serra do Panelão.

Derivando ao Caminho do Invernador, evitamos boa parte da estrada que liga Urubici ao Corvo Branco, além de passar por trechos extremamente sossegados e ao longo de belas florestas de araucárias. De volta à estrada geral, em plena obra de asfaltamento, alguns trechos com lama foram inevitáveis. No meio do trajeto uma parada estratégica da Família Beckhauser, também pertencente à Acolhida na Colônia, para um farto lanche com produtos coloniais.

A pedalada seguiu com seus animadores oficiais, os colegas Adilson e Marcelo (que conheceram-se nessa viagem, afinando-se de imediato nos repertórios de piadas, que despachavam sem dó perante o pelotão – alguns atônitos). O ápice da gozação ocorreu quando o Zé, nosso motorista, ofereceu ao Marcelo um “sorvete -seco” com bexiguinha (daqueles cones de sorvete com maria-mole cor de rosa, artefatos do arco da velha que só se encontram nos butecos dos confins). Marcelo de pronto aceitou o presente e, tão logo o devorou (e foi rápido mesmo), tratou de encher a bexiguinha e colocá-la de ornamento em sua magrela, arrancando risos das testemunhas.

Mas voltando ao pedal, seguimos firmes com guidões no rumo do Corvo Branco, mesmo com o peso de nuvens que passou a dominar a paisagem. Lá chegando, no paredão rasgado em rocha do alto do Corvo, nada mais que uma densa cortina branca estava disponível aos olhos. O jeito foi apressar-se à guarda as bikes na carreta, montar no microônibus e zarpar de volta à Pousada.

A noite foi daquelas em que melhor se consegue dormir: embalada à muita chuva. De manhã restavam apenas alguns pingos, mas o lamaçau não animou o povo. Saímos para passear de ônibus. O consolo foi ver a majestosa Cascata do Avencal por cima, despejando suas águas em 100 metros de queda.

Retornando à Pousada, a despedida foi o almoço feito pela dona Terezinha e sua família (incluindo uma estupenda massa caseira, feita na hora). Despedida com gosto de “até logo”: em novembro estaremos lá, para nossa saída “Urubici Plus”, de 4 dias, com direito à travessia do Parque Nacional de São Joaquim. Faltam menos de 3 meses para outra aconchegante experiência de Acolhida e pedaladas pela região serrana (e as bênçãos de São Pedro, se todas as conjunções astrais colaborarem!)

 

 

 

 

Veja as fotos da viagem

Caminhos do Sertão participa de reportagem nacional em Urubici

terça-feira, 14 de julho de 2009

Em maio, acompanhamos o fotógrafo André Dib, da revista Aventura e Ação, durante uma reportagem sobre Urubici. Fizemos juntos 3 pedaladas pela região, incluindo a Travessia do Parque Nacional de São Joaquim, entre Vacas Gordas e Bom Jardim da Serra, com direito a passagem pelo Cânion Laranjeiras. Os atrativos mais conhecidos também foram contemplados, e um pernoite no Sítio Arroio da Serra nos inspirou a oferecer esta pousada ecológica como acolhida em nosso próximo pacote (06 a 08/08).
Além das pedaladas, Dib aventurou-se também por um trekking de 3 dias, guiado pelo pioneiro Juan Rivas, uruguaio que um dia veio conhecer a nascente do Rio Canoas e de lá nunca mais saiu. A caminhada, que é também uma travessia do Parque Nacional em outro sentido, bordeou a Serra em visuais impressionantes, finalizando nos altos do Morro da Igreja.
O resultado disto tudo, incluindo outras pautas agregadas – como a reportagem sobre meio-ambiente, produção orgânica e turismo rural, assinada por mim – foi uma matéria densamente recheada, de 28 páginas, com novos olhares sobre a cidade que compõe um dos 27 roteiros lançados no último Salão de Turismo nacional. Na foto de capa, o parceiro Jonatha Junge exibe sua bike em pleno Morro da Igreja, com vista pintada à sol de fim de tarde na Pedra Furada, sugerindo uma das atividades com mais expressividade na região.
Em Floripa, a revista pode ser encontrada em bancas da Trindade, Centro e Lagoa. Em São Paulo há vários pontos de venda pela cidade, incluindo bikes shop e lojas de aventura. Compre e divirta-se!

por Fernando Angeoletto

Veja o álbum de fotos completo.

A pequena e infinita Urubici – Carnaval 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009
Clique na imagem para ver o álbum de fotos

Clique na imagem para ver o álbum de fotos

Urubici, nossa querida Urubici, dona de majestosas cachoeiras, respeitosas montanhas, árvores do fruto proibido e araucárias a perder de vista. Urubici das casinhas coloridas, da expressão alegre no rosto do agricultor e dos tantos desenhos gravados nas pedras, das flores contornando os caminhos e dos caminhos que acenam às florestas, ao pedregoso e frio Rio Canoas que dali se despede para viajar ao Uruguai, às inúmeras pontezinhas que espreitam esse correr de águas certeiro e eterno.
Foi lá onde estivemos, alheios à farra momesca, aproveitando o feriadão do Carnaval para pôr as rodas na estrada e cicloviajar. Estavam conosco as parceiras do grupo feminino Saia na Noite, de São Paulo, experimentando pela primeira vez (com ótimo aproveitamento!) uma viagem de bicicleta. Pedalamos também com a turma do Boos, que religiosamente comparece pelas bandas da Serra em todo, sem exceção, feriado de Carnaval. O blumenauense Wilberto Boos, incansável ativista pela causa do ciclista urbano, apaixonado por pedalar, mecânico de bicicleta e além de tudo cicloturista de carteirinha, há 20 anos organiza a rapaziada de Blumenau (todos os anos) para cumprir o ritual em Urubici. Chegam a dezenas de participantes, de diferentes idades e ritmos, mas todos com o mesmo propósito de celebrar no pedal a deslumbrante região.

As inúmeras caras da Pedra Furada

Encontramos a turma ao meio-dia de domingo, já no topo do Morro da Igreja, oficialmente o mirante mais soberbo da cordilheira – tendo em conta que de toda a Serra Geral, que irrompe seus picos desde o Paraná até os famosos Canyons do Sul, são os 1822 m do Morro da Igreja a maior altitude desta formação descendente de remotíssimos derrames de lava. Pode-se estar lá – neste topo – dezenas de vezes, mas jamais alguma será igual à outra. Desta vez, a famosa vista da Pedra Furada foi oniricamente enfeitada pelos chumaços de nuvens, enroscadas no sem-fim de picos e pequenos vales vizinhos ao Morro. Fomos honrados com a repetição deste espetáculo no fim da tarde, a convite de Edson Passold. Este cicloamigo blumenauense, apaixonado por fotografia, não poderia escolher melhor lugar para o registro do pôr-do-sol, ato que compartilhamos com grande prazer.

As águas do Rio da infância

Em plena segunda-feira carnavalesca, reunimos o pelotão ciclístico, alegórico e colorido, para o desfile dos Unidos no Corvo Branco. Na Serra com nome de pássaro, nem tão alta quanto o Morro da Igreja, mas igualmente fantástica e misteriosa, o sol a pino revelava todos os desenhos das pedras, todas as curvas em caracol, toda a imponência e audácia do rasgo na rocha que abre caminho à estrada. Descê-la com rumo ao litoral não era a intenção; uns tantos mais empolgados ainda fizeram uma caminhada a um mirante mais alto, enquanto outro grupo (do qual fiz parte) preferiu fazer meia-volta para atirar-se em um demorado banho no Rio Canoas. O uruguaio Juan Rivas, fotógrafo e designer, diz que o Rio Uruguai é uma das melhores lembranças de sua infância. Aquelas águas, dizia seu pai, “nascem e crescem lá no Brasil, nos altos da Serra Catarinense”. Um dia, Juan veio conhecer a origem do rio que marcou seus dias de criança. De lá não saiu mais, construiu sua casa e uma pousada, num ponto do Rio Canoas de onde se avistam monumentais paredões e a entrada para o Campo dos Padres. Ele conta esta história no prefácio do impecável livro fotográfico, de sua autoria, todo dedicado Serra.

Outra cachoeira no currículo

Ainda não era quarta, mas a terça-feira veio cinza, e em seguida chuvosa. Mesmo assim, parte da trupe seguiu sua sina. Desta feita, descemos a Serra do Panelão por caminhos alternativos que levam ao Morro do Campestre. O Canoas, sempre ele, também cruza o caminho, e para cruzá-lo, a brincadeira é equilibrar-se sobre uma das tantas mini-pontes pênseis. E, como sempre há novidade em Urubici, optamos por desbravar a Cachoeira dos Vacarianos, que até então ainda não figurava em nossos currículos. É preciso abandonar a estrada principal e pedalar 4 quilômetros, um tanto estendidos, ao menos psicologicamente, por conta da lama. Então, surge um caminhozinho gramado, depois vem as pedras, e mais pedras, e 2 travessias do rio – para enfim ouvir o estrondo e avistar a colossal queda d’água desabando na rocha.
Por força da chuva, tomamos uma providencial carona no carro de apoio para avistar os últimos atrativos. No topo do Avencal, avistamos a fabulosa Cascata de mesmo nome, jorrando sobre o abismo de 100 metros para tornar-se um dos mais belos cartões postais da região. Por fim, subimos ao Morro da Antena para do Alto fazer a despedida de Urubici, a pequena Urubici, mas tão infinita em suas paisagens, cenários e belezas naturais.

Urubici-cleta: pedal nas alturas

sexta-feira, 20 de abril de 2007

A cidade tem “bici” até no nome. Urubici. Urubici-cleta. Foi nesse reduto das alturas, terra das maiores altitudes do Sul do país, das vistosas araucárias que por sorte ainda não viraram mesa nem porta, dos pomares de maçã e das cachoeiras monumentais, que fizemos a cicloviagem de 3 dias no último feriado.
Antes de mais nada, é mister dizer que nosso grupo de 20 pessoas teve, como marcas registradas, agradáveis características. A começar pelo humor transbordante, e nesse quesito é impossível não citar a figura do hilariante pedalante Adilson, autor de piadas memoráveis, algumas brandas e outras simplesmente impublicáveis – teve gente que chegou a chorar de rir em uma das suas cômicas intervenções.
Outra marca foi o encontro de gerações entre os cicloviajantes. Compuseram o grupo três pares de pai e filho: Renato e o Jonatha, um dos guias da pedalada; Jorge e Gustavo, carinhosamente apelidado de Junior, que com apenas 17 anos já descobriu o prazer de aventurar-se em bicicleta; e o veterano Souza, parceiro de muitas pedaladas com o Caminhos do Sertão, que dessa vez trouxe sua filha Cristiane, marinheira de primeira viagem e, pelo simpático recado que deixou em nosso site, mostrou-se bastante satisfeita com a experiência pioneira.

MOLDURA DE PEDRA, EM FORMA DE ELIPSE

Depois de devidamente acomodados  no hotel Andermann, no centro de Urubici, iniciamos o percurso na tarde da sexta-feira santa. Em pouco tempo chegamos ao rio Sete Quedas, cristalino e gelado como todas as águas da região, com leito de seixos arredondados que precisa ser atravessado diversas vezes até que se possa divisar a primeira queda. Os mais corajosos, ou menos friorentos, arriscaram um banho rápido antes que voltássemos ao trajeto.
Na seqüencia, guidões no rumo do Morro do Campestre. Depois de um pedaço de estradão de terra, plano, uma subida forte e pedregosa leva ao alto das curiosas formações rochosas, de onde se obtém um pitoresco panorama da região. Uma das imponentes pedras apresenta um rasgo vertical, na forma de uma elipse, que conforma uma singular moldura para alguns elementos da paisagem, como um rio sinuoso que se esparrama pela planície e uma pequena serra, ao fundo, rasgada por uma das dezenas quedas d´água da região.
No retorno, anoitecemos na estrada, contando com a providencial escolta luminosa da nossa van de apoio. De noite, no hotel, entre uma e outra melodia ao som de violão e pandeiro, intercalaram-se as espirituosas piadas e um show de risos. Depois, o fabuloso jantar preparado pela senhora Janara – e cama.

NO MEIO DAS NUVENS, O TOPO DO SUL DO BRASIL

No sábado, o grupo se dividiu entre os que resolveram encarar, pedalando, a subida do Morro da Igreja, e os que optaram por poupar energia pegando uma carona até lá com a van. Entre o município de Urubici e o topo do Morro, há um desnível de mil metros. Para vencê-lo, “basta” enfrentar uma estrada asfaltada de quase 17 quilômetros, a grande maioria em subida, alguns trechos bastante íngremes. Então, mergulha-se nas nuvens e o ponto final é o cume do Sul do Brasil, com 1822 metros de altitude, sede do controle do tráfego aéreo na Região.
Com tamanha energia potencial, nada melhor do que transformá-la, ladeira abaixo, em energia cinética. A descida é longa, fonte inesgotável de adrenalina, e exige perícia e atenção em algumas curvas bastante traiçoeiras. Quanto mais, como naquele dia, quando a pista está molhada. Na altura da Cascata Véu de Noiva abandonamos o asfalto para mergulhar, via estradão de terra, na Serra do Bitu, um atalho pedregoso porém deslumbrante que conduz de volta ao centro de Urubici. Antes de chegar na cidade passamos pelo famoso cultivo de trutas do professor Hélio, um curioso conjunto de tanques de lona azul apinhados de peixes.
Nessa noite, a sessão de violão e pandeiro foi substituída por um laptop e a mostra de fotos e vídeos da viagem. Motivo, outra vez, para desenfreados momentos de risada – protagonizados, como sempre, pelo Adílson. Ele não perdeu tempo, ao assistir na tela um dos guias contorcendo-se feito Saci enquanto enxugava um dos pés na beira do rio Sete Quedas: “é a dança do Siri Destroncado”, mandou o humorista, com sua típica espontaneidade, arrancando lágrimas de riso de um dos colegas.

CORVO BRANCO E O COLOSSAL RASGO NA MONTANHA

No domingo de Páscoa, último dia da pedalada, tomamos o caminho do Invernador, uma estradinha vicinal, muito simpática, com as margens abundantes de belas araucárias. Visitamos também a gruta de Nossa Senhora  de Lurdes, um impressionante reduto natural marcado por uma queda de finos e cintilantes fios d´água. E então, pouco mais de 30 quilômetros desde que deixamos Urubici, alcançamos a fabulosa serra do Corvo Branco.
Somado à natureza pulsante, o local é marcado pela pungente presença da engenharia humana. Uma colossal fenda na rocha cede espaço à estrada e descortina os mistérios da serra. Atravessando o rasgo, a descida toma o formato de um caracol, com curvas de 180 graus, desconcertantes. Terminada a ladeira, olha-se para trás e o que se vê é uma serra que recorta o céu em formatos variados, beleza bruta, deslumbrante.
Pouco depois do distrito de Aiurê, mais precisamente no engenho Pedro Kühnen, selamos o ponto final da viagem. Enquanto acomodávamos as bicicletas nos carros, para o retorno, boa parte do grupo dedicou-se a provar dos licores artesanais de jabuticaba, limão e hortelã, produzidos ali mesmo. E então, na intenção de evitar o calamitoso trânsito da parte não duplicada da BR-101, seguimos por um sinuoso e despavimentado caminho de interior, via São Bonifácio. No final, não houve economia de tempo com essa opção – mas, em compensação, evitamos os riscos do frenesi da BR em fim de feriado.

Veja as fotos dessa viagem